Espaço reservado para anúncio

Seis em cada dez profissionais de tecnologia evitam o uso de inteligência artificial no dia a dia. É o que revela uma pesquisa inédita do Stack Overflow obtida com exclusividade pela CNN. O levantamento, que ouviu 30 mil desenvolvedores em 169 países, expõe uma forte onda de ceticismo e fadiga em relação às ferramentas de automação na área que deveria liderar essa revolução digital.

A rejeição contrasta com o avanço acelerado da tecnologia nas empresas. Embora 65% dos entrevistados usem assistentes de codificação, a frustração com o trabalho disparou. Quase um terço dos programadores (cerca de 33%) declarou estar infeliz na função atual, superando os 28,4% registrados no ano passado. Apenas 22,3% se dizem felizes, enquanto a grande maioria se divide entre a indiferença e o esgotamento profissional.

Espaço reservado para anúncio

A engenheira de software Laura Housh é uma das profissionais que decidiu recuar. Após adotar a inteligência artificial em 2024 para auxiliar na programação, ela relata ter desenvolvido uma relação de amor e ódio com a tecnologia. “Tentei usá-lo para programação, mas simplesmente não consigo me adaptar”, desabafa Laura, destacando que as ferramentas carecem de contexto real para serem verdadeiramente úteis na rotina técnica.

O problema vai além da eficiência técnica. Para engenheiros experientes como Audrey Eschright, com 20 anos de carreira, delegar a escrita de códigos a robôs descaracteriza a própria profissão. “Escrever código é como você resolve problemas”, explica Audrey. “Como engenheiro de software, o processo de descobrir o que um sistema faz é modificá-lo”. Sem essa etapa, muitos programadores sentem que perdem o controle do processo criativo e intelectual.

A ansiedade no setor também é alimentada pela pressão constante de atualização. Prashanth Chandrasekar, CEO do Stack Overflow, aponta que os profissionais agora sofrem para se reinventar em tempo recorde diante do medo da automação. Além disso, o nível de exigência para iniciantes disparou: estima-se que recém-chegados atuem como se tivessem três anos de experiência prática graças ao suposto suporte da inteligência artificial.

O ceticismo também se traduz em números de confiança. Apenas 6,6% dos entrevistados confiam na IA para tomar decisões importantes em seus projetos. Embora 74% achem a tecnologia útil para implementar códigos e 72% para corrigir erros, meros 34,4% veem utilidade em funções de comunicação e design. A cautela ganha urgência diante do avanço corporativo: dados da Deloitte mostram que 54% dos líderes de tecnologia planejam colocar projetos de IA em produção nos próximos meses.

Espaço reservado para anúncio