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O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte euforia nesta segunda-feira (5) ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da disputa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O principal índice da Bolsa de Valores (Ibovespa) disparou mais de 7% e rompeu a marca histórica de 200 mil pontos, fechando a 206.911,89 pontos — o melhor desempenho pós-primeiro turno desde 1994. No mesmo ritmo, o dólar recuou mais de 4%, retornando ao patamar de R$ 5, enquanto os juros futuros registraram queda firme de quase 1 ponto percentual.
A disparada dos ativos, que acrescentou R$ 420 bilhões em valor de mercado ao Ibovespa, reflete a aposta dos investidores em uma guinada na política econômica a partir de 2027. Além do desempenho do candidato do PL, a vitória majoritária de partidos de direita e centro-direita na Câmara dos Deputados e no Senado Federal reforçou a tese de que o próximo governo terá um ambiente altamente favorável para aprovar reformas estruturais e impor limites rígidos aos gastos públicos.
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Diante do novo cenário, grandes instituições internacionais revisaram suas projeções para os ativos brasileiros. O J.P. Morgan elevou sua recomendação de compra para o país, sinalizando que a valorização do real abre caminho para cortes mais intensos na taxa Selic pelo Banco Central. Já o Morgan Stanley desenhou um cenário otimista no qual o Ibovespa poderia alcançar os 250 mil pontos, embora tenha alertado que os desafios de endividamento de empresas nacionais e a desaceleração da atividade econômica ainda exigem cautela dos investidores.
Apesar da empolgação geral nas mesas de operação, analistas alertam que a “lua de mel” do mercado financeiro tem prazo de validade se o candidato do PL não detalhar suas propostas de governo. Em seu plano protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro promete um “grande tesouraço” para cortar gastos por todos os lados e enxugar a máquina pública. No entanto, investidores cobram a falta de clareza sobre quais programas serão afetados por esse corte estrutural e quem assumirá o comando da equipe econômica em caso de vitória.
Nos bastidores da campanha, interlocutores de Flávio Bolsonaro revelaram que a equipe econômica estuda a elaboração de uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com foco exclusivo no enxugamento da máquina pública, visando uma economia de gastos na ordem de R$ 300 bilhões. O montante é tratado como um “número mágico” para estabilizar a dívida pública brasileira, que atualmente ultrapassa a marca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Contudo, em entrevista, a assessora econômica da campanha e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, evitou dar indicações concretas sobre a origem desses cortes.
Para especialistas do setor privado, o mercado concedeu um voto de confiança provisório à oposição, mas a cobrança por propostas reais aumentará rapidamente. Segundo Maurício Valadares, diretor de investimentos da Now Capital, os ativos precisarão de medidas palpáveis para continuar subindo, uma vez que sequer o nome do futuro titular do Ministério da Economia foi apresentado. Na mesma linha, Thomas Monteiro, analista-chefe da Investing.com, ponderou que, embora a mudança na estrutura do Estado seja relevante, os investidores só conseguirão avaliar a trajetória da dívida de longo prazo após conhecerem os projetos reais de governabilidade.
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