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O meio-campista Gustavo Scarpa, do Atlético-MG, virou o centro de um fenômeno literário inédito no país ao fazer um clássico da literatura russa de Liev Tolstói disparar nas vendas da Amazon no Brasil. Aos 32 anos, o jogador de futebol furou a bolha do esporte com resenhas em vídeo que somam centenas de milhares de visualizações e já mobilizam torcidas rivais em clubes de leitura.
Tudo começou quando Scarpa superou a timidez para lançar o “Canal do Scarpinha” no YouTube, onde publica análises simples e diretas de suas leituras. Seu vídeo sobre “A Morte de Ivan Ilitch” ultrapassou a marca de 730 mil visualizações e chamou a atenção até da embaixada russa no Brasil, que o convidou para um evento e prometeu presenteá-lo com um exemplar assinado por um descendente de Tolstói. “Que bagulho gigantesco. Muito legal”, celebrou o atleta.
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O impacto das indicações do jogador extrapolou o ambiente virtual e chegou diretamente às arquibancadas brasileiras. Torcedores do Atlético-MG criaram o “Galeitura”, um clube de leitura inspirado em Scarpa que já reúne mais de 100 mil seguidores no Instagram. O movimento contagiou torcidas rivais, gerando iniciativas semelhantes de apoiadores do Cruzeiro, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Vasco e Grêmio, quebrando a tradicional barreira da rivalidade entre os clubes.
Embora compartilhasse suas leituras no Instagram desde 2018, o jogador relutava em gravar vídeos longos por receio de não debater as obras como um especialista acadêmico. Desde o fim de agosto deste ano, porém, ele resolveu arriscar e já resenhou seis obras complexas, incluindo autores como Zora Neale Hurston, Elie Wiesel, Daniel Keyes e a brasileira Socorro Acioli. O jogador revelou que psicólogos, artistas e outros profissionais de fora do futebol passaram a acompanhá-lo.
Dentro do vestiário do Atlético-MG, a literatura também começou a ganhar espaço como assunto entre os atletas. Scarpa contou que troca indicações de livros com os companheiros de equipe Victor Hugo e Léo Duarte, que já mantinham o hábito da leitura, e revelou que outros jogadores do elenco começaram a ler recentemente por sua influência. Para ele, conseguir aproximar as pessoas e humanizar as relações por meio dos livros é um dos retornos mais gratificantes desse novo momento.
O hábito de Scarpa começou na infância, incentivado pelo pai, que fazia os filhos lerem e assistirem a filmes legendados. Após ler “Tonico e Carniça” na sétima série, ele passou anos lendo quase exclusivamente a Bíblia após se converter ao cristianismo na adolescência. O interesse por outras obras ressurgiu em 2018, quando ganhou a biografia de Steve Jobs e o clássico “O Médico e o Monstro”. Hoje, o atleta tem Fiódor Dostoiévski, C.S. Lewis e Victor Hugo como seus autores favoritos e defende que a leitura o tornou uma pessoa mais crítica e empática.
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