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A expansão acelerada do trabalho por aplicativo transformou motoristas e entregadores em um dos públicos mais disputados nas eleições de 2026. Ao longo da corrida aos governos estaduais, candidatos de diferentes espectros políticos passaram a apresentar medidas concretas de isenção do IPVA, facilidade de crédito e criação de pontos de apoio específicos para a categoria. Na disputa presidencial, o debate avançou para pautas de competência da União, como propostas de remuneração mínima, proteção trabalhista, maior transparência dos algoritmos e novas regras de funcionamento para as plataformas digitais.
O contingente de trabalhadores desse segmento registrou um salto expressivo nos últimos anos em todo o país. Segundo dados da pesquisa “Trabalho por meio de plataformas digitais”, da PNAD Contínua realizada pelo IBGE em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho, o número de motoristas de aplicativos de transporte particular saltou de 752 mil em 2022 para 1,036 milhão em 2025, o que representa uma alta de 37,8%. Entre os entregadores, o contingente subiu de 274 mil para 325 mil apenas entre 2024 e 2025, um avanço de 18,61% em um intervalo de apenas um ano.
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Para o cientista político Josué Medeiros, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a categoria ganhou não apenas densidade numérica, mas também forte capacidade de mobilização e de pautar o debate público. O especialista aponta que os trabalhadores do setor mantêm contato constante com a população e organizam paralisações com facilidade, tornando estratégico o alinhamento dos candidatos com suas demandas.
Na corrida ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende um piso de R$ 10 por entrega, além de pontos de apoio físicos e medidas de proteção contra acidentes de trabalho. O governo federal também aposta no programa Move Brasil, iniciativa de crédito para a aquisição de carros e motocicletas lançada no início deste ano.
Do outro lado, o governador Romeu Zema defende a criação de uma tarifa mínima nacional, embora ainda não tenha detalhado valores ou critérios técnicos para fixá-la. Zema também defende que as plataformas ofereçam seguros de vida e saúde aos entregadores e propõe um modelo alternativo de formalização que dispense a CLT, com condições negociadas diretamente entre as empresas e os trabalhadores.
A isenção do IPVA desponta como a promessa mais recorrente entre os candidatos aos governos estaduais no país. No Rio de Janeiro, os candidatos Douglas Ruas e Eduardo Paes prometeram zerar o imposto para motocicletas de até 180 cilindradas, enquanto Paes estendeu o benefício fiscal também para os carros de motoristas de aplicativo que cumprirem metas de viagens.
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