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As mulheres representam a maioria absoluta do eleitorado brasileiro, mas continuam como exceção na disputa direta pelas chefias dos Executivos estaduais. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o público feminino soma 83,9 milhões de pessoas, o que equivale a 52,84% dos 158,7 milhões de eleitores aptos a votar no país. Apesar dessa hegemonia nas urnas, um levantamento aponta que apenas oito mulheres despontam como candidatas competitivas na disputa pelos governos de sete estados e do Distrito Federal.
A corrida pelo Palácio do Buriti, em Brasília, e a disputa no Rio Grande do Sul ilustram bem esse cenário de polarização e busca por espaço. No Distrito Federal, a atual governadora em exercício Celina Leão (PP), apoiada pelo bloco bolsonarista, lidera as intenções de voto com 55% contra 22% de Leandro Grass (PT), segundo pesquisa Datafolha recente. Já em solo gaúcho, Juliana Brizola (PDT), que conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aparece em empate técnico com o bolsonarista Luciano Zucco (PL), conforme dados divulgados pela Quaest em 24 de setembro.
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Nas demais regiões, a presença feminina oscila em posições intermediárias nas pesquisas de intenção de voto. No Pará, Hana Ghassan (MDB), herdeira política de Helder Barbalho, tenta viabilizar sua eleição aparecendo com 32% das intenções contra 41% de Dr. Daniel Santos (Podemos). No Amazonas, a candidata do PL, Maria do Carmo, figura na segunda colocação com 19%, atrás do senador Omar Aziz (PSD), que lidera com 29%. Em Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD) aparece em terceiro lugar com 11%, distante dos líderes Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL).
A dificuldade em eleger governadoras reflete um padrão histórico observado no pleito de 2022. Naquela ocasião, somente duas mulheres conseguiram vencer as disputas estaduais entre as 27 unidades da federação: Fátima Bezerra (PT) reelegeu-se no Rio Grande do Norte ainda no primeiro turno, e Raquel Lyra (então no PSDB, hoje no PSD) conquistou o governo de Pernambuco ao derrotar Marília Arraes no segundo turno. Agora, Raquel tenta a reeleição para consolidar seu mandato em um cenário ainda amplamente dominado por homens.
Diferente do que ocorre nas chapas para o Executivo local, a disputa por vagas no Senado Federal neste ano atrai um número expressivo de lideranças femininas de peso nacional. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, nomes de projeção como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) travam a disputa parlamentar. No Distrito Federal, o embate reúne a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada Bia Kicis (PL) contra as governistas Erika Kokay (PT) e Leila do Vôlei (PDT), demonstrando que a força feminina está mais concentrada no Legislativo.
Especialistas apontam que a barreira para as mulheres no topo do Executivo e do Senado também se deve à legislação eleitoral, que não prevê cotas de gênero para cargos majoritários. A obrigatoriedade de preencher pelo menos 30% das vagas de candidaturas com cada sexo vigora exclusivamente nas eleições proporcionais, como para deputado federal, estadual e vereador. Mesmo com essa ação afirmativa em vigor desde os anos 1990, o crescimento de eleitas é lento: em 2022, as mulheres conquistaram apenas 91 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, representando acanhados 17,7% da Casa.
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