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O professor de direito constitucional da USP, Conrado Hübner Mendes, afirmou em artigo publicado na Folha de S.Paulo que a competição eleitoral atual enfrenta graves desafios devido à desinformação e ao avanço de propostas de caráter autocrático. Segundo o acadêmico, o debate político profundo sofre com a influência de plataformas digitais e com a crescente polarização que afasta o voto de discussões baseadas em fatos e políticas públicas.

A desconfiança generalizada nas instituições e a frustração com a insegurança material entregue pelos governos abrem espaço para soluções messiânicas. O autor ressalta que a democracia continua pressionada por múltiplos flancos, incluindo a desigualdade social, a crise climática e o crescimento do crime organizado.

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Fazendo referência a uma metáfora da cartunista Laerte sobre a demora na compreensão dos problemas coletivos, o especialista aponta que a sociedade frequentemente percebe os perigos institucionais apenas em retrospectiva. Para ele, os projetos autocráticos não surgem do vácuo, mas se aproveitam do desgaste das capacidades estatais.

O texto destaca que, embora nenhuma candidatura atual pareça totalmente capaz de resolver todas as promessas constitucionais do país, apenas uma delas estaria alinhada a um projeto global de enfraquecimento das liberdades individuais, profissionais e econômicas. De acordo com a análise, esse grupo político enxerga a ordem pública, a imprensa e o funcionalismo imparcial como adversários.

O docente da Universidade de São Paulo argumenta ainda que essa vertente política propõe a renúncia à soberania nacional em diversas áreas, desde a tecnológica até a ambiental. A proposta, segundo o articulista, resultaria em um futuro oligárquico e na destruição de qualquer planejamento coletivo.

Por fim, o especialista conclui que a percepção sobre a gravidade dessas ameaças ainda demora a se consolidar entre os eleitores. O texto aponta que resta saber qual será o custo em termos de sofrimento e desgaste institucional até que a sociedade brasileira elabore uma alternativa viável de futuro para o país.

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