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A Rockbridge Network, grupo privado de direita fundado em 2019 pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e pelo empresário Chris Buskirk, buscou se instalar no Brasil e manteve contato com lideranças políticas e empresariais locais. A articulação do grupo conservador americano incluiu aproximações com figuras de destaque do setor privado e da política nacional, gerando forte repercussão em meio ao debate eleitoral.
Segundo informações reveladas pela imprensa, o empresário Joesley Batista, da J&F, e o banqueiro André Esteves, do BTG, tiveram contato com emissários da organização norte-americana, que reúne executivos e investidores conservadores. Além deles, os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) também teriam conhecido representantes da Rockbridge, embora nenhum dos citados tenha se manifestado publicamente sobre o assunto.
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O plano de expansão previa a atuação do grupo em três frentes principais no território brasileiro: mídia, com apoio e organização de veículos conservadores; formação de jovens, por meio de financiamentos a movimentos em ambientes acadêmicos; e atividade legislativa, fornecendo dados e pesquisas para parlamentares de direita. Documentos de apresentação obtidos indicavam a criação de um conselho com 23 integrantes, citando nomes como Talles Gomes, da G4 Educação, Mario Araripe, da Casa dos Ventos, David Peixoto, da Pax AI, e Pedro Sang, apontado como CEO da Rockbridge Brasil.
A adesão ao grupo estrangeiro previa contribuições anuais de até US$ 1 milhão, que poderiam ser quitadas em dólar, criptomoedas, ações de empresas abertas ou fechadas, além de estruturas corporativas e trusts. Diante da repercussão dos planos, a assessoria de imprensa da Rockbridge nos EUA declarou que a entidade jurídica brasileira foi criada mediante interesse de brasileiros, mas que o projeto acabou rejeitado e nunca entrou em operação.
A organização afirmou ainda que a empresa nunca recebeu recursos e acusou terceiros de terem feito declarações falsas sobre a relação com a rede, além de produzirem documentos sem o conhecimento ou consentimento da diretoria norte-americana. No início de setembro, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou nas redes sociais que a Rockbridge teria apoiado a campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro, disponibilizando-se a enviar documentos sobre o tema.
Os desdobramentos políticos do caso chegaram ao Supremo Tribunal Federal em setembro, quando o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou a Corte para investigar se a campanha de Flávio recebe recursos estrangeiros de forma direta ou indireta. Na mesma semana, o PT formalizou um pedido ao ministro Flávio Dino para a abertura de um inquérito específico voltado a apurar suposta interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
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