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A relação entre religião e comportamento eleitoral no Brasil ganhou novos contornos a partir de um levantamento detalhado que mapeia o peso do voto religioso no país. Dados inéditos mostram que a grande maioria dos eleitores identifica uma linha divisória clara entre a fé e a disputa partidária nas urnas.
A pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil”, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião em parceria com a Quaest, ouviu 15 mil pessoas em 412 municípios brasileiros. O estudo cruzou a identidade religiosa dos entrevistados com variáveis como raça, gênero, escolaridade, renda e território para qualificar o debate sobre o tema.
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Entre os achados centrais do levantamento, destaca-se que de 83% a 90% dos brasileiros que frequentam alguma religião rejeitam abertamente a interferência de lideranças religiosas na política eleitoral. Para essa fatia expressiva da população, igrejas e templos não devem servir como palanques ou espaços para indicação de candidatos.
Apesar dessa forte resistência da base, a pesquisa aponta que as lideranças religiosas insistem em tentar direcionar o voto dos fiéis, frequentemente inclinando-se para um lado específico do espectro político. Ao resgatar o segundo turno das eleições presidenciais de 2022, a maior parte dos entrevistados afirmou não ter recebido orientações de seus líderes.
Nos casos em que houve indicação de voto, contudo, o favorecimento a Jair Bolsonaro sobressaiu de forma evidente nos dados coletados. Cerca de 11% dos religiosos afirmam ter recebido orientação para votar em Bolsonaro, enquanto apenas 5% relataram recomendação favorável a Luiz Inácio Lula da Silva.
Dentro do segmento evangélico especificamente, a pressão das lideranças por Bolsonaro se mostrou ainda mais intensa e variada conforme a denominação religiosa. Dependendo da igreja frequentada pelo fiel, a recomendação explícita pró-Bolsonaro chegou a atingir a marca de 29%.
Além da influência das lideranças, o estudo demonstra que a identidade religiosa isoladamente não consegue explicar por si só as preferências nas urnas. Fatores como raça e nível de escolaridade modificam de maneira significativa o comportamento político mesmo dentro de um mesmo grupo religioso.
Entre os eleitores católicos, por exemplo, a vantagem de Lula é sustentada sobretudo por pretos e pardos, ao passo que entre os eleitores brancos há um empate técnico nas preferências. Já no universo evangélico, a família Bolsonaro mantém vantagem na maioria dos recortes raciais, mas registra empate com Lula entre a população preta.
O grau de instrução também altera o cenário político mapeado pela pesquisa pelo país. Entre os católicos, a vantagem favorável a Lula diminui consideravelmente entre aqueles que alcançaram o ensino superior. No campo evangélico, por sua vez, a vantagem associada aos Bolsonaro sofre queda entre os eleitores de menor escolaridade.
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