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Neste ano, 158,7 milhões de eleitores brasileiros vão às urnas para escolher novos representantes nos Executivos e Legislativos federal e estaduais. Enquanto campanhas presidenciais e de governadores dominam o foco da opinião pública com debates e propagandas, as disputas por vagas de deputados e senadores costumam ficar em segundo plano na atenção popular.
Para o cientista político Eduardo Grin, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, essa menor visibilidade ocorre porque o eleitor brasileiro busca tradicionalmente referências de liderança política individualizada. Como o Legislativo reúne dezenas de candidatos sem um rosto único dominante nos programas eleitorais, a atenção popular acaba se canalizando naturalmente para cargos majoritários como presidente, governador e senador.
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No pleito deste ano, todas as cadeiras das assembleias legislativas estaduais e da Câmara dos Deputados estarão em disputa. Enquanto o âmbito nacional elege 513 deputados federais, cada estado define sua bancada de deputados estaduais ou distritais de forma proporcional conforme a Constituição. Já o Senado Federal, composto por 81 membros, terá dois terços de seu quórum renovado, o equivalente a 54 vagas em jogo, com mandatos que duram oito anos.
A longevidade do mandato no Senado garante estabilidade e continuidade de projetos de longo prazo, aponta a doutora em ciências políticas Carolina de Paula, professora da ESPM. A renovação parcial da Casa Alta permite que os parlamentares acumulem conhecimento aprofundado sobre temas densos da legislação nacional que um ciclo de quatro anos não comporta. Senadores e deputados federais propõem e aprovam leis federais, enquanto deputados estaduais atuam nas respectivas unidades federativas.
O peso financeiro e político desses mandatos, contudo, tem crescido consideravelmente com a gestão do orçamento público e das emendas parlamentares. Atualmente, 25% do orçamento discricionário da União são direcionados a emendas de pagamento obrigatório pelo Executivo. Para Eduardo Grin, o eleitorado menos informado sobre o cotidiano político dificilmente consegue mensurar o impacto real dos parlamentares ao movimentarem fatias bilionárias do orçamento.
Outro fator que elevou o perfil dos senadores nos discursos de candidatos a governador e presidente é a prerrogativa constitucional de aprovar indicações de autoridades, como ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, além da possibilidade de votar processos de impeachment contra ministros da Suprema Corte. Enquanto alas bolsonaristas transformam o combate ao STF em bandeira eleitoral para o Senado, campos progressistas também lançam nomes de peso para equilibrar forças, fazendo com que as alianças estaduais fossem desenhadas com foco na Casa Alta.
Apesar da centralidade desses temas, especialistas alertam para os riscos de focar a campanha do Senado em uma disputa de Poderes. Carolina de Paula avalia que reduzir o papel do senador a embates institucionais esvazia o debate de propostas construtivas e de uma agenda legislativa propositiva para a população. No mesmo sentido, Eduardo Grin pondera que o tema do impeachment atrai mais o meio político do que o cotidiano prático dos eleitores.
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