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A disseminação de uma notícia falsa envolvendo Flávio Bolsonaro e o santuário de Nossa Senhora Aparecida colocou a direita na mira de um tipo de desinformação que historicamente marcou os embates eleitorais brasileiros. O boato aponta que o parlamentar pretenderia resgatar um projeto de lei para remover a santa do posto de padroeira do Brasil, gerando forte repercussão na reta final da disputa política.

Para o sociólogo inglês naturalizado brasileiro Paul Freston, pioneiro nos estudos sobre pentecostalismo e política, o episódio demonstra uma ironia evidente. Segundo o especialista, o campo conservador agora sofre com métodos semelhantes aos que utilizou contra adversários ao longo de décadas.

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Freston lembra que a narrativa de que o PT fecharia igrejas foi reciclada em sucessivos pleitos desde a redemocratização, tendo a eleição presidencial de 1989 como marco inicial dos atritos entre setores católicos e o bloco evangélico em formação. Naquela época, o pastor José Wellington Bezerra da Costa relatou ao pesquisador o temor infundado de que a CNBB estaria articulando para estabelecer o catolicismo como religião oficial do Estado.

Décadas mais tarde, o cenário de disputa pela praça pública se transformou em uma concorrência aberta dentro da chamada religião civil. O sociólogo aponta que declarações recentes de figuras ligadas ao bolsonarismo sobre decretar o país para o Senhor Jesus Cristo refletem essa tentativa de afirmar a centralidade evangélica na vida pública, gerando temores em setores seculares e outras vertentes religiosas.

Apesar do apelo dessas abordagens místicas entre parte dos fiéis, Freston avalia que o uso político da fé carrega riscos evidentes e pode provocar desgastes com a própria base de apoio. Ele destaca que o episódio envolvendo a imagem de Aparecida acabou enfraquecendo a capacidade que Jair Bolsonaro possuía de transitar com facilidade entre católicos e evangélicos.

Enquanto o campo progressista tenta calibrar sua estratégia para dialogar com o eleitorado evangélico, apostando em figuras como a primeira-dama Janja, analistas apontam que o uso de boatos religiosos por oposicionistas cumpre o papel estratégico de consolidar o voto católico. O debate expõe as fragilidades e os riscos do cruzamento entre religião e disputa partidária no Brasil atual.

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