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As novas cotas de financiamento de campanha para candidaturas de pessoas pretas e pardas nas eleições de 2026 representam um avanço significativo, mas exigirão vigilância constante para evitar retrocessos no Poder Legislativo. O alerta é de Giovanni Harvey, presidente do Fundo Baobá, organização voltada para a formação de lideranças negras no Brasil e que gerencia um dos maiores volumes de recursos filantrópicos com esse objetivo no país.
Harvey participou ativamente do desenho do sistema de cotas para pretos e pardas em concursos públicos federais entre 2013 e 2014, durante a gestão da ex-ministra Luiza Bairros no Ministério da Igualdade Racial. Ele destaca que a luta atual por espaço na política vai muito além da representatividade puramente estética nos corredores do Congresso Nacional.
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Segundo o ativista, a ausência histórica de pessoas negras nos espaços de poder compromete de forma direta a elaboração e o direcionamento de políticas públicas que chegam à ponta da sociedade. Ele lembra que a discussão sobre ações afirmativas no Brasil possui raízes profundas e acumula pelo menos seis décadas de debates, passando por decretos de ex-presidentes como Jânio Quadros e Fernando Henrique Cardoso, além de conquistas trazidas pela Constituição Federal de 1988.
Durante a entrevista concedida ao O GLOBO, Harvey também criticou a atuação dos partidos políticos tradicionais, apontando que os caciques partidários costumam priorizar a reeleição de quem já ocupa cargos em detrimento da renovação dos quadros. Ele relembrou um episódio em que questionou o ex-prefeito Eduardo Paes pela falta de secretários negros em mandatos anteriores, contrapondo com a gestão de Leonel Brizola no governo do estado do Rio de Janeiro em 1983, que conseguiu compor um secretariado com sete pessoas negras.
Para o presidente do Fundo Baobá, as casas legislativas acabaram se transformando no principal refúgio de grupos contrários às políticas de ação afirmativa. Ele citou decisões recentes de assembleias legislativas, como a de Santa Catarina, que contestam cotas sem base argumentativa sólida, e alertou sobre o risco de tentativas de anistia semelhantes às registradas por partidos que descumpriram regras de financiamento para mulheres e negros antes de 2022.
Por fim, Harvey avaliou que a pauta racial não deve ser tratada como exclusividade de um espectro político, relatando sua própria experiência de articulação no Congresso em 2014 para aprovar as cotas em concursos públicos com o apoio de parlamentares de diferentes correntes ideológicas, incluindo nomes historicamente ligados à direita. Ele classificou o cenário atual como reflexo de uma polarização intransigente que dificulta o debate democrático qualificado.
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