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O Brasil enfrenta uma estagnação histórica na alfabetização e no letramento infantil, enquanto os principais candidatos à Presidência da República tropeçam em propostas vagas, omissões administrativas e pautas com viés ideológico nos planos de governo para o pleito de 2026. A constatação faz parte de um levantamento que ouviu especialistas em educação para apontar os gargalos mais urgentes que o próximo chefe do Executivo federal precisará enfrentar para tirar o país das últimas posições em rankings internacionais de ensino.

Enquanto o debate político se polariza, a realidade nas salas de aula da rede pública revela um abismo entre as diretrizes oficiais e o aprendizado real das crianças. Alunos do 4º ano do Ensino Fundamental na periferia de São Paulo enfrentam dificuldades severas com a escrita e o domínio do sistema alfabético, competências que deveriam estar consolidadas há pelo menos dois anos, conforme as metas estabelecidas pelo Ministério da Educação e pela Base Nacional Comum Curricular.

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Dados apresentados por pesquisadores indicam que o problema da ineficiência sistêmica começa muito antes de a criança ingressar na escola. Entre 2005 e 2025, o gasto público por aluno na educação básica brasileira registrou um salto expressivo de 4,5 vezes, passando de R$ 3.450 para R$ 15.581 em valores atualizados, mas a nota média dos estudantes nos anos finais do Ensino Fundamental subiu apenas 20% no mesmo período.

Especialistas apontam que a carência de investimentos na primeira infância, que abrange desde a gestação até os seis anos de idade com deficiências crônicas em creches, assistência social, saneamento básico e apoio psicológico, compromete irreversivelmente o desempenho dos estudantes ao longo de toda a jornada acadêmica e eleva os índices de evasão escolar.

Diante desse cenário, os programas dos principais concorrentes ao Palácio do Planalto apresentam lacunas preocupantes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não detalha em sua plataforma medidas para garantir critérios meritocráticos na nomeação de gestores escolares nem aponta caminhos para reverter a expansão desenfreada de cursos de licenciatura na modalidade de Ensino a Distância.

Por sua vez, o ex-deputado Flávio Bolsonaro aposta na criação de escolas cívico-militares e na defesa de valores familiares, pautas consideradas por especialistas como descoladas de evidências pedagógicas e que acabam ocupando o espaço de debates cruciais para a melhoria real da qualidade do ensino público no país.

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