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A relação entre o agronegócio e a política brasileira passa por uma mudança estratégica após duas eleições marcadas por forte polarização. Importantes lideranças do setor avaliam que a associação estrita a um determinado campo político trouxe custos elevados para a atividade e defendem maior independência nas eleições de 2026 e nos pleitos futuros.
O entendimento predominante nos bastidores é de que o setor produtivo precisa manter posições firmes sobre os rumos do país, mas sem permitir que essas diretrizes sejam confundidas com uma escolha político-partidária institucional. A percepção é tão forte que nenhuma das representações ouvidas quis se manifestar publicamente sobre essa nova postura, refletindo a cautela para evitar novas exposições desnecessárias.
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Essa tentativa de preservar a autonomia não significa abandonar a atuação política, mas sim afastar o setor do centro das disputas eleitorais. Para as entidades, o problema não foi a preferência individual de produtores e empresários, que ganhou força a partir de 2018, mas o fato de a atividade ter sido rotulada como um bloco monolítico, ignorando a pluralidade de visões entre trabalhadores, cooperativas e empresas.
O reflexo dessa sobreposição da imagem política sobre a econômica resultou em desgaste direto na interlocução com o poder público. O agronegócio depende de pilares fundamentais como crédito, juros, seguro rural, infraestrutura, comércio exterior, tributação e segurança jurídica, temas que exigem negociação constante com qualquer governo instalado, independentemente da cor partidária.
Mesmo candidaturas historicamente ligadas ao setor enfrentam limites para reverter esse cenário de distanciamento institucional. Ronaldo Caiado, que construiu sua trajetória política defendendo a pauta ruralista e atua como pré-candidato à Presidência em 2026, consegue ocupar espaço na campanha, mas as próprias entidades preferem resguardar suas marcas corporativas.
É nesse contexto que a Frente Parlamentar da Agropecuária promoveu uma alteração significativa em sua agenda tradicional para este ano de eleições. Pela primeira vez em ciclos recentes, a bancada não realizará a rodada de encontros com presidenciáveis no primeiro turno, sem previsão de agendas semelhantes para o segundo turno, rompendo com uma tradição mantida desde antes de 2018.
A mudança marca um contraste nítido com os pleitos anteriores, quando a FPA promovia sabatinas e reuniões com candidatos como Ciro Gomes e Jair Bolsonaro, culminando no apoio formal a Bolsonaro no segundo turno de 2018 e mantendo os convites em 2022, ocasião em que Luiz Inácio Lula da Silva optou por não comparecer. Agora, a prioridade é evitar a exposição eleitoral que restringe a capacidade de diálogo com o Executivo.
O recuo na exposição política ocorre na esteira de um período de forte atrito acumulado com o governo Lula desde 2023, marcado por confrontos públicos em torno do Plano Safra, das taxas de juros, da segurança no campo e da disputa jurídica em torno do marco temporal das terras indígenas julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
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