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A dificuldade de acesso aos locais de votação impacta diretamente a participação dos eleitores brasileiros nas urnas. O índice de abstenção cresce até sete pontos percentuais em cidades onde moradores precisam percorrer mais de 40 quilômetros para conseguir votar, segundo dados analisados pelo jornal O Globo.

Essa barreira geográfica afeta de maneira severa comunidades isoladas na Região Norte, onde o trajeto até a seção eleitoral pode consumir um dia inteiro. A infraestrutura precária das estradas na floresta amazônica transforma o simples ato de exercer a cidadania em uma verdadeira maratona para os cidadãos.

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Um exemplo claro dessa realidade acontece na comunidade Ramal dos Três, localizada no município de Óbidos, no Pará. Com uma população de 52 mil habitantes e situada a 1.479 quilômetros de Belém, a região obriga os moradores a buscarem a urna mais próxima na cidade vizinha de Oriximiná.

O percurso exige cerca de cinco horas de viagem de ida e volta por uma estrada de terra esburacada. A situação é agravada pela falta de manutenção viária, conforme relatam os próprios habitantes da região que sofrem com o isolamento logístico durante o período eleitoral.

— Para o pessoal da nossa comunidade é um pouco complicado votar, porque as urnas são longe, é um dia todo. Do jeito que a estrada está, com mais de dois anos sem entrar maquinário lá para arrumar os buracos, vai continuar difícil — afirma Sidiane da Cruz Sampaio, servidora da Funai e moradora de Ramal dos Três.

A comunidade citada integra, junto com as localidades vizinhas de Rio Verde e Jamaracaru, um pequeno grupo de três povoados que somam apenas 133 habitantes. A escassez de infraestrutura de transporte e a distância física continuam sendo os principais obstáculos apontados pelos eleitores locais para justificar a ausência nas urnas.

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