Espaço reservado para anúncio
A taxa de inadimplência da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu 5,04% em agosto de 2026, marca que representa o maior nível de calotes da série histórica do Banco Central, iniciada em março de 2011. Os dados divulgados pela autoridade monetária mostram uma alta de 0,16 ponto percentual em relação a julho, impulsionada principalmente pelo endividamento acumulado das famílias brasileiras.
A taxa de não pagamento entre as pessoas físicas subiu para 6,0% no mês, atingindo também o topo da série histórica do indicador. No segmento de crédito livre, no qual as taxas de juros são pactuadas livremente entre instituições financeiras e clientes, a inadimplência total disparou para 6,6%. O cenário fica ainda mais grave na modalidade individual desse segmento, onde o índice bateu a marca recorde de 8,0%, após registrar um avanço de 1,0 ponto percentual no acumulado dos últimos 12 meses.
Espaço reservado para anúncio
A escalada dos calotes acompanha a alta no custo do dinheiro para o consumidor final. A taxa média de juros cobrada das famílias no crédito livre atingiu 61,7% ao ano em agosto, um salto de 1,4 ponto percentual em apenas um mês. O cartão de crédito rotativo puxou essa elevação ao registrar alta de 8,7 pontos percentuais no período, enquanto o spread bancário médio chegou a 21,2 pontos percentuais. Em julho, o comprometimento médio da renda das famílias com prestações alcançava 28,7%, enquanto o endividamento total em relação aos rendimentos acumulados se mantinha em 49,9%.
O reflexo dessa pressão no orçamento transparece no contingente de devedores mapeados fora do sistema bancário tradicional. Segundo a Serasa Experian, o país contabilizou 83,9 milhões de pessoas físicas negativadas em julho. Do lado do setor produtivo, a inadimplência das pessoas jurídicas permaneceu estável em 3,3% em agosto, embora os dados da Serasa apontem 9,2 milhões de CNPJs negativados no mês anterior, totalizando R$ 238,6 bilhões em dívidas pendentes. Desse montante empresarial, bancos e operadoras de cartão de crédito respondem por 19,5% dos débitos.
A deterioração do crédito ocorre em um momento de reação do mercado formal de trabalho, que gerou 165 mil vagas com carteira assinada em agosto, superando as projeções dos analistas de mercado, que previam a criação de 100 mil postos. De acordo com o Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, o estoque de empregos formais no país atingiu 48,2 milhões de trabalhadores. O salário médio real de admissão, no entanto, registrou ligeira oscilação negativa de 0,03%, caindo para R$ 2.410,74.
Para tentar conter o represamento de dívidas e o impacto no consumo, o governo federal anunciou a terceira fase do programa Desenrola Brasil, voltada para a renegociação de débitos das famílias. Paralelamente, o Palácio do Planalto editou uma medida provisória restringindo o mercado de apostas on-line, apontado como um dos vilões do orçamento doméstico. Estudos do Comsefaz indicam que as perdas líquidas dos brasileiros com apostas esportivas chegaram a R$ 62,5 bilhões em 2025, retirando recursos diretamente do pagamento de compromissos essenciais.
Espaço reservado para anúncio





