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A Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 82,9% do PIB em agosto, alcançando a marca de R$ 11,1 trilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central no Relatório de Estatísticas Fiscais. O resultado representa um avanço de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior e retoma o patamar registrado em março de 2021, período marcado pela crise sanitária da pandemia.
Esse salto acentuado preocupa analistas econômicos porque reverte a trajetória fiscal sem a presença de uma emergência de saúde pública. No início do ano, a dívida bruta registrava 78,5% do PIB, mas encerrou agosto em patamares elevados impulsionada pela dinâmica desfavorável das contas públicas e pelo impacto direto da taxa básica de juros.
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No recorte mensal, o setor público consolidado acumulou um déficit de R$ 10 bilhões em agosto. Embora o montante seja inferior ao resultado negativo de R$ 17 bilhões verificado no mesmo mês do ano anterior, o acumulado do ano revela uma pressão severa sobre os gastos públicos e a sustentabilidade fiscal.
Entre janeiro e agosto, o governo federal pagou R$ 861 bilhões apenas em juros da dívida. No mesmo intervalo, o governo central acumulou déficit de R$ 97,1 bilhões, enquanto os governos regionais registraram superávit de R$ 16,2 bilhões — impulsionado em parte pela transferência de royalties do petróleo — e as estatais apresentaram déficit de R$ 8 bilhões.
Especialistas apontam que a reversão desse quadro exige medidas duras de contenção de despesas. Sem um ajuste fiscal profundo e uma mudança estrutural na dinâmica dos gastos, os juros continuarão pressionando o orçamento e a relação dívida/PIB, cenário que tende a se agravar diante de projeções de crescimento mais fraco para a economia nos próximos anos.
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