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A reorganização societária do grupo Azzas 2154, anunciada no início do mês, gerou forte incerteza no mercado financeiro e obrigou analistas a recalcular o valor de ativos de peso como a Farm Rio, o Grupo Soma e a Arezzo&Co. O processo de separação dos negócios, que tem conclusão prevista para 2027, coloca marcas consagradas sob novas estruturas de comando e expõe os desafios enfrentados pelo conglomerado de moda desde a sua criação em 2024.
O nó central da operação surge no momento em que investidores tentam precificar cada uma das frentes que vão surgir com a cisão. A reestruturação prevê a divisão dos principais negócios entre a Arezzo&Co, que continuará sob a liderança de Alexandre Birman, e o Grupo Soma, que ficará sob o comando do bloco de Roberto Jatahy, deixando a Farm Rio fora dessa divisão tradicional.
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A Farm Rio tornou-se o grande epicentro desse processo de reavaliação de mercado. A marca carioca não será integrada diretamente aos grandes blocos, mas passará a contar com uma sociedade específica dividida entre a Arezzo&Co, com 57,4% de participação, e o Grupo Soma, com 42,6%. Analistas apontam que o valuation isolado da marca gira em torno de US$ 500 milhões, o que equivale a cerca de R$ 2,5 bilhões, valor muito próximo de toda a capitalização atribuída à Azzas 2154 recentemente.
A discrepância entre o valor estimado da Farm e o desempenho da holding na Bolsa de Valores chamou a atenção de especialistas. Em 2024, a fusão que deu origem à Azzas foi avaliada em aproximadamente R$ 12 bilhões, mas o valor de mercado despencou para a faixa de R$ 3 bilhões em setembro de 2026. Analistas de grandes bancos apontam que conflitos entre sócios, questões de governança e o cenário macroeconômico pesaram contra a companhia, ofuscando o potencial real de marcas isoladas.
Danielle Lopes, sócia da Suno Research, destaca que o forte otimismo em torno da Farm Rio é impulsionado pelo avanço internacional da marca, que já possui unidades nos Estados Unidos, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e pop-ups na Europa. Em 2025, a marca registrou faturamento de R$ 3,4 bilhões, sendo R$ 2,1 bilhões no mercado doméstico e R$ 1,3 bilhão no exterior, marcando um crescimento de 22,4% em relação ao ano anterior.
Por sua vez, o professor da Fundação Getulio Vargas Roberto Kanter ressalta que o varejo de moda depende profundamente da força de cada marca. Para ele, o portfólio diversificado possui públicos, margens e perspectivas de crescimento distintas, o que justifica avaliações econômicas separadas. Com a reestruturação, o Grupo Soma reunirá nomes como Animale, NV, Maria Filó, Reserva e Cris Barros, enquanto a Arezzo&Co concentrará marcas como Arezzo, Schutz, Hering e Vans.
Apesar das incertezas e da cautela de analistas internacionais em relação à execução prática da gestão, a expectativa entre operadores é de que a simplificação dos negócios traga ganhos expressivos. A avaliação predominante é de que as marcas não apresentam problemas de balanço e que a divisão pode destravar valor, fazendo com que as novas estruturas superem, somadas, a avaliação atual do conglomerado Azzas.
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