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Pesquisadores da Escola Politécnica da USP desenvolveram um novo método capaz de mapear a resiliência de áreas urbanas a inundações ao analisar como tempestades se distribuem no tempo e no espaço. A metodologia cruza dados hidrológicos reais com indicadores sociais e econômicos para identificar com maior precisão os pontos mais vulneráveis a enchentes.

O modelo foi testado na bacia do Ribeirão dos Meninos, região que abrange a capital paulista e os municípios de São Caetano do Sul, Santo André e São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O local registra episódios recorrentes de alagamentos e é considerado complexo por reunir alta densidade urbana, canalizações de rios e reservatórios de contenção.

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Para calcular a capacidade de resposta das cidades, a equipe mapeou fatores como velocidade da água, profundidade da inundação, renda per capita, densidade demográfica e vulnerabilidade social. As variáveis geram uma nota de resiliência que varia de 0 a 1,00, permitindo categorizar visualmente os setores mais críticos por meio de um código de cores.

Nos testes realizados, o índice de resiliência da bacia variou entre 0,27 e 0,84. Áreas mais altas e próximas às nascentes do ribeirão apresentaram respostas mais estáveis às tempestades. Em contrapartida, as regiões localizadas no curso inferior do rio demonstraram alta sensibilidade a chuvas concentradas, revelando fragilidades que escapavam aos diagnósticos tradicionais.

Segundo o professor José Rodolfo Scarati Martins, coordenador da pesquisa, as abordagens convencionais falham ao pressupor que a chuva cai de forma homogênea sobre toda a bacia hidrográfica. Ele explica que em áreas maiores que 2 km² a precipitação varia intensamente, gerando impactos locais muito mais severos do que os previstos pelos modelos de engenharia tradicionais.

A ferramenta pretende orientar prefeituras na alocação de recursos públicos para obras de micro e macrodrenagem, instalação de alertas preventivos e planejamento de emergências. O estudo, fruto do mestrado do pesquisador Luiz Filipe Rodrigues Moreira, foi publicado na revista científica Journal of Hydrology: Regional Studies.

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