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Compradores globais de trigo que adiam a reposição de estoques enfrentam custos significativamente mais altos ao retornarem ao mercado nas próximas semanas. A disparada dos preços mundiais é impulsionada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que não dá sinais de arrefecimento e paralisa o escoamento de safras pela região do Mar Negro.

Os principais importadores da Ásia, do Oriente Médio e da África encontram barreiras severas para garantir suprimentos. Ataques recentes a navios e à infraestrutura portuária praticamente paralisaram o transporte de cargas na zona de conflito desde o mês de julho.

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Essa escassez provocou uma alta drástica nas cotações internacionais, com os contratos futuros de referência em Chicago acumulando alta de 40% desde as mínimas registradas em junho e atingindo o maior patamar em três anos e meio. Analistas alertam que o cenário ameaça desencadear uma nova onda de inflação de alimentos para populações vulneráveis.

“O Mar Negro é uma região importante para o transporte de grãos e, se os compradores não conseguirem retirar os grãos dessa região, terão de procurar suprimentos em outros lugares, o que fará os preços subirem ainda mais”, explicou Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank.

A Ásia sofre o impacto de forma mais imediata, com a Indonésia recebendo apenas cerca de 60 mil toneladas do Mar Negro neste mês, contra meio milhão de toneladas em setembro do ano passado. Moinhos indonésios recorreram a fornecedores na Austrália e na Argentina, pagando até 25% mais caro pelas cargas em comparação aos valores anteriores.

No Egito, maior comprador mundial, o ministro do Abastecimento, Sherif Farouk, afirmou que o país busca diversificar fontes e reduzir a dependência de Rússia e Ucrânia, recorrendo a embarques da França e da Europa. Enquanto isso, traders apontam que o mercado permanece paralisado pela expectativa de um acordo de paz que reduza abruptamente os preços globais.

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