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O resultado da eleição presidencial no Brasil será o fator determinante para definir se o país conseguirá atrair capital estrangeiro e fazer com que a poupança doméstica retorne aos ativos locais, segundo avaliação da gestora Bridgewater Associates. O relatório da instituição aponta a situação fiscal como o eixo central dessa equação econômica para os próximos anos.
Em entrevista ao CNN Money, a sócia-diretora da Gibraltar Consulting, Zeina Latif, analisou o cenário político e econômico atual e afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro tenderia a provocar uma reação positiva imediata nos mercados financeiros brasileiros.
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“Num primeiro momento, se confirmada a vitória do Flávio Bolsonaro, é claro que nós vamos ver uma reação positiva dos mercados, o que já vem acontecendo todas as vezes que a gente vê o Flávio tendo um crescimento na intenção de voto”, declarou a economista durante a entrevista.
Apesar do otimismo inicial de curto prazo, a especialista ponderou que traçar conclusões definitivas sobre o horizonte de médio prazo é uma tarefa consideravelmente mais complexa. Para ela, a materialização de reformas estruturais depende não apenas da convicção do presidente eleito, mas fundamentalmente de sua capacidade de articulação política.
Zeina chamou a atenção para o atual quadro de rigidez orçamentária elevada no país, agravado pelas emendas parlamentares obrigatórias que reduzem significativamente a margem de manobra do Executivo. Esse cenário atribui um papel ainda mais central ao chefe do Executivo na negociação com o Congresso Nacional.
A economista também destacou que, independentemente da abordagem adotada pelo futuro vencedor das urnas — seja ela mais acelerada ou gradualista —, nenhum dos lados nega abertamente a necessidade urgente de implementar algum tipo de ajuste fiscal para estabilizar as contas públicas.
Ao abordar o crescimento econômico nacional, Zeina apontou que o potencial de expansão do Brasil, estimado atualmente entre 2% e 2,5% ao ano, permanece abaixo da média mundial, que gira em torno de 3% a 3,5%. Essa limitação decorre, em parte, da baixa qualidade do gasto público, que falha em gerar incentivos adequados para a educação e a infraestrutura.
Por fim, a especialista concluiu que a sinalização fiscal apresentada logo após o pleito será o principal indicador monitorado de perto pelos investidores. O regime fiscal vigente gera um ambiente macroeconômico instável, marcado por juros elevados e baixa visibilidade sobre a trajetória futura da dívida pública brasileira.
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