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Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que o cérebro apresenta uma pausa prolongada na atividade neuronal logo antes de uma crise epiléptica. Divulgada na revista Scientific Reports, a constatação comprova que essa calmaria funciona como um marcador confiável para prever convulsões com antecedência e sugere a possibilidade de intervenções diretas para reduzir a duração dos episódios.

O distúrbio neurológico afeta cerca de 52 milhões de pessoas em todo o mundo, caracterizando-se por descargas elétricas anormais e excessivamente sincronizadas. Embora existam mais de 30 medicamentos aprovados, dados científicos apontam que entre 30% e 40% dos pacientes não respondem à terapia farmacológica convencional, quadro conhecido como epilepsia refratária.

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Segundo Fernando da Silva Borges, pesquisador colaborador da Universidade Federal do ABC e coautor do artigo, o silenciamento dos neurônios antecede de 40 a 160 milissegundos uma crise epiléptica. O especialista explica que esse intervalo, embora curto, mostra-se suficiente para interferir de forma automatizada por meio de um estímulo elétrico antes que a tempestade neuronal aconteça.

Nas simulações computacionais conduzidas pelo grupo, o uso desse silêncio como biomarcador para intervenções anticonvulsivas promoveu uma redução de até 93% na duração das crises. Os testes delineiam um caminho promissor para o desenvolvimento futuro de terapias de neuromodulação personalizadas e mais eficazes.

O trabalho científico envolveu instituições como a Universidade Estadual de Ponta Grossa, a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal do ABC e a Universidade Estadual de Nova York. A pesquisa contou com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Com a descoberta, os cientistas pretendem unir dispositivos já existentes no mercado, como estimuladores do nervo vago e sistemas de feedback em tempo real, a uma estratégia preventiva. A aplicação de uma corrente elétrica rápida e pouco invasiva acorda os neurônios antes da crise, impedindo a queda crítica no fluxo de potássio e evitando sequelas para a saúde e a qualidade de vida dos pacientes.

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