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Uma profusão de desafios estruturais e conjunturais aguarda o próximo presidente da República a partir de 2027. Problemas históricos que afetam a população brasileira há décadas misturam-se a novos obstáculos globais, exigindo prioridade na agenda nacional logo no início do mandato.
Nas últimas semanas, análises apontaram que o fracasso de políticas públicas do passado —criadas de forma reativa e isolada— explica o cenário atual de ineficiência estatal. A isso somam-se crises em Poderes vizinhos e mudanças geopolíticas que vão impactar diretamente a rota do novo chefe do Executivo.
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Na saúde, o principal alerta recai sobre a dificuldade de sustentar o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) diante de uma crise fiscal iminente. O envelhecimento populacional e o avanço das doenças crônicas pressionam os gastos públicos, que hoje giram em torno de 4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Michelle Fernandez, professora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), destaca que o avanço das emendas parlamentares impositivas reduz a margem discricionária do Executivo. Esse cenário exige negociação permanente com o Congresso Nacional para garantir verbas.
Na educação, o país atingiu a marca de 66% de crianças alfabetizadas ao final do segundo ano em 2025. Contudo, especialistas como Naercio Menezes Filho, professor do Insper e da USP, apontam que, embora o gasto por aluno na educação básica tenha aumentado 4,5 vezes entre 2005 e 2025, a nota média dos estudantes nos anos finais do ensino fundamental subiu apenas 20%.
O nó fiscal surge como um gargalo transversal que ameaça travar o governo em todas as áreas, com a dívida pública chegando a 82,9% do PIB, patamar sem precedentes fora do período da pandemia. Para conter a expansão do endividamento, o próximo presidente precisará adotar medidas duras de corte de despesas ou aumento de receitas, sob o risco de agravar a inflação e encarecer o crédito.
No cenário internacional, a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desponta como um ponto crítico para a diplomacia brasileira. O republicano deve continuar pressionando o Brasil a se afastar da China, gerando um dilema delicado para a economia nacional diante da forte dependência comercial de Pequim.
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