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A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, afirmou nesta quarta-feira (23) que a estatal concentra sua busca por novas oportunidades internacionais na África e descartou, neste momento, qualquer avanço sobre a Venezuela. A declaração foi feita durante a ROG.e 2026, evento de energia realizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) no Rio de Janeiro, onde a executiva participou de uma sessão sobre inovação e exploração da companhia.
Questionada por jornalistas se a Petrobras estaria avaliando uma eventual entrada no mercado venezuelano, Sylvia foi direta ao responder que está olhando para a África. O país sul-americano atualmente é objeto de disputa entre grandes petroleiras globais após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em janeiro, o que levou o governo norte-americano a incentivar novos investimentos na indústria local com a atuação de empresas como Chevron, Eni e ExxonMobil.
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Enquanto concorrentes miram a América do Sul, a Petrobras direciona suas atenções para o outro lado do Atlântico, estudando áreas oferecidas por governos africanos. Segundo a diretora, equipes da companhia vêm analisando todos os blocos disponibilizados pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique (ENH) para preparar a estatal para os próximos leilões do setor.
A movimentação em Moçambique foi formalizada na última terça-feira (22) com a assinatura de um memorando de entendimento válido por dois anos, garantindo cooperação técnica, comercialização e avaliação de petróleo e gás entre as empresas. Essa aproximação faz parte de uma retomada mais ampla da presença da Petrobras no continente africano, iniciada em São Tomé e Príncipe em 2024 e expandida para países como África do Sul, Namíbia e Costa do Marfim.
A estratégia de expansão internacional da petroleira brasileira é sustentada por semelhanças geológicas decorrentes da própria separação do antigo supercontinente Gondwana. De acordo com a empresa, as bacias sedimentares africanas compartilham a mesma origem estrutural da margem brasileira no Atlântico Sul, o que permite o uso de dados e do conhecimento acumulado em décadas de exploração nacional para interpretar as novas áreas.
Com essa base técnica, a Petrobras assumiu a operação do bloco 3 em São Tomé e Príncipe, garantiu participação em blocos na Bacia de Orange e na Namíbia, e assinou recentemente contratos de partilha para oito blocos offshore na Costa do Marfim, onde atuará como operadora ao lado da estatal local Petroci.
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