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Cientistas da Universidade de Tübingen, na Alemanha, decifraram o mistério por trás da preferência humana pelos cantos dos pássaros, revelando que a complexidade e a suavidade dos sons ditam o nosso bem-estar. O estudo inédito, publicado na revista científica Frontiers, mostra que a nossa reação positiva a essas vocalizações independe do conhecimento prévio sobre as espécies, sugerindo uma conexão biológica profunda e ancestral com o meio ambiente.
A equipe de pesquisadores coordenou um teste com 84 voluntários, que avaliaram as gravações de 123 espécies de aves selvagens selvagens ao redor do mundo. O melro-preto (Turdus merula) sagrou-se o grande vencedor do levantamento, alcançando a nota média de 4,52 em uma escala de 1 a 5, graças ao seu canto rico, suave e melodioso. No extremo oposto, o grito áspero da coruja-das-torres amargou a pior avaliação do público, com a pontuação de apenas 1,32.
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“Isso sugere que o prazer de ouvir o canto dos pássaros está ligado a algo mais fundamental do que simplesmente saber o que se está ouvindo”, explicou a bióloga Nadine Kalb, autora principal do estudo. O pesquisador sênior Christoph Randler acrescentou que a pesquisa cruzou dados biológicos das vocalizações com a psicologia da percepção humana. Contrariando a intuição inicial dos cientistas de que sons simples seriam preferidos, o estudo revelou que as pessoas têm predileção clara por estruturas acústicas mais complexas e dinâmicas.
Os resultados abrem caminho para que planejadores urbanos repensem o desenho de parques, praças e áreas verdes nas cidades brasileiras e globais. Em vez de focar apenas no isolamento de ruídos urbanos, as administrações municipais podem projetar espaços focados na preservação e atração da biodiversidade sonora. No entanto, Randler faz um alerta importante aos gestores públicos: pesquisas anteriores de sua equipe provaram que reproduzir o canto de pássaros por alto-falantes artificiais não gera os mesmos benefícios que o som natural dos animais silvestres.
A psicóloga Olga Feher, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, que estuda a comunicação das aves mas não participou do estudo, corrobora a tese de que a resposta humana aos sons naturais tem raízes evolutivas. Ela cita estudos recentes que apontam para preferências sonoras e padrões rítmicos compartilhados entre humanos e animais ao longo da evolução das espécies. Feher adverte, contudo, que priorizar apenas espécies com cantos agradáveis pode marginalizar e prejudicar os esforços de conservação de aves menos melodiosas, mas cruciais para o ecossistema.
Complementando o debate, o professor de psicologia Robert Lachlan, da Royal Holloway, Universidade de Londres, ponderou que novos estudos são necessários para mapear detalhadamente a escala de frequências preferida pelos humanos. Ele questionou a associação direta entre frequências mais altas e maior agradabilidade, lembrando que aves reverenciadas por sua musicalidade, como o próprio melro e o rouxinol, utilizam notas graves e flautadas que escapam às análises superficiais de alta frequência.
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