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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou na última quarta-feira (23) o acordo firmado por integrantes do bloco Escudo das Américas para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como ameaças compartilhadas e terroristas. A articulação foi liderada pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump, estabelecendo uma ação conjunta contra o narcoterrorismo na região. Para o petista, o Brasil possui autonomia e não precisa de interferência externa para combater o crime organizado em seu território.

Durante ato político com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, o chefe do Executivo federal detalhou o cenário internacional e o recente isolamento diplomático na América do Sul. Segundo o presidente, após o seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, Trump convocou uma reunião com 14 líderes latino-americanos e caribenhos para discutir segurança pública.

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O documento assinado por esses países formaliza o combate rígido a facções criminosas latino-americanas. No entanto, o petista ironizou o resultado prático do encontro, afirmando que os governos aliados dos Estados Unidos mencionaram operações na Venezuela sem apresentar apreensões concretas de traficantes.

O ponto central da divergência levantada pelo presidente brasileiro reside na natureza jurídica e motivacional dos grupos criminosos locais. Enquanto a Casa Blanca busca rotular as organizações como terroristas, Lula argumenta que o PCC e o Comando Vermelho operam exclusivamente por interesses financeiros e disputa de mercado, e não por motivações ideológicas.

“O crime organizado aqui no Brasil não são terroristas que querem a briga pelo poder, não. Aqui é briga financeira e nós vamos derrotá-los aqui, porque nós vamos devolver o território ao povo da periferia desses Estados”, declarou o presidente diante de apoiadores e artistas.

Apesar das críticas diretas à investida norte-americana, Lula ponderou que busca vencer o debate no campo da narrativa política e descartou qualquer conflito bélico com a gestão de Donald Trump. O evento no Rio contou com a presença de aliados políticos, como o prefeito Eduardo Cavaliere, a deputada Benedita da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a primeira-dama Janja da Silva.

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