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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu a defesa da “democracia e soberania” como um dos pilares de sua comunicação digital e de sua projeção internacional. O tema, que concentrou 7,9% de suas publicações no Instagram entre 16 de agosto e 16 de setembro de 2026, agora deve balizar o discurso de abertura do presidente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), consolidando uma narrativa que busca fazer contraponto a líderes da extrema-direita global, como o norte-americano Donald Trump.

Os dados sobre a atuação digital de Lula fazem parte de um levantamento da agência Bites, encomendado pelo portal Poder360. A pesquisa analisou 233 publicações do petista em um mês. Embora o assunto principal do perfil tenha sido “campanha, imagem e alianças”, com 44,40% das postagens, a pauta da soberania e do regime democrático se isolou na segunda posição. Na sequência, apareceram temas como “educação e cultura” (7,50%), “trabalho e direitos” (6,30%) e “infraestrutura e desenvolvimento” (6%).

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O comportamento digital de Lula contrasta diretamente com a estratégia da oposição. A Bites também monitorou o perfil do senador Flávio Bolsonaro (PL), que publicou 113 vezes no mesmo período. No perfil do parlamentar, o tema da democracia sequer figura entre os principais. Depois de publicações de campanha, Flávio priorizou debates sobre economia (10,66%), segurança pública (8,20%) e acusações de corrupção (5,74%), frequentemente associadas a críticas diretas ao governo federal e ao PT.

“O levantamento mostra duas estratégias de comunicação bastante diferentes”, avaliou Daniela Alarcon, assessora estratégica da Bites. De acordo com a especialista, enquanto a oposição liderada pelo clã Bolsonaro centraliza suas forças em críticas econômicas e de segurança, a gestão de Lula adota uma distribuição temática mais diversificada para tentar neutralizar o desgaste de áreas sensíveis, como o combate à corrupção, que registrou apenas 2,80% das postagens do presidente.

A aposta nessa bandeira também encontra eco no cenário doméstico e na diplomacia. Setores da sociedade civil, como o Movimento Fé e Política, já utilizam a defesa da soberania e das instituições democráticas para justificar o apoio eleitoral ao atual mandatário. Ao levar essa mesma tese para o púlpito da ONU, em Nova York, Lula tenta nacionalizar e internacionalizar um discurso unificado, apresentando-se como uma liderança de resistência institucional frente ao avanço do conservadorismo global.

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