Espaço reservado para anúncio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara um discurso de forte defesa da soberania brasileira e recados diretos a potências estrangeiras para a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para a próxima terça-feira (22). Segundo auxiliares do petista, o texto ainda está em fase de ajustes, mas a pauta principal girará em torno da proteção da democracia e do multilateralismo.

Embora o governo evite citar nominalmente os Estados Unidos ou o presidente norte-americano Donald Trump, interlocutores confirmam que haverá advertências direcionadas a nações que tentam influenciar o processo eleitoral do Brasil. Para a equipe presidencial, Washington representa o maior desafio geopolítico atual, sobretudo devido ao protagonismo das gigantes de tecnologia, as chamadas big techs.

O processo eleitoral brasileiro não será o tema central da fala de Lula na 81ª sessão da Assembleia Geral, mas a diplomacia nacional avalia que o assunto ganhou urgência porque, na visão do Planalto, a democracia está sob ataque global. Nos últimos dias, o presidente tem reforçado publicamente que não aceitará nenhum tipo de interferência externa na política interna do país.

Apesar das divergências comerciais marcadas por novas tarifas impostas pelos EUA contra produtos brasileiros e pelas declarações de Trump contestando a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a diplomacia não articula uma reunião bilateral formal. Contudo, há expectativa de que Lula e Trump se cruzem nos corredores da ONU, repetindo a dinâmica do ano passado, quando o republicano mencionou ter havido uma boa química entre ambos.

A comitiva brasileira também deve incluir recados velados a outros países apontados pela gestão como focos de pressão indevida sobre o cenário político nacional, a exemplo de Argentina e Israel. Este será o último discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral neste mandato.

Espaço reservado para anúncio