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A varejista de moda Shein registrou uma queda drástica de 67% em seu lucro líquido ajustado no segundo trimestre, que recuou para US$ 228 milhões. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (28), marca o primeiro balanço financeiro da gigante chinesa após abrir capital em Hong Kong. O tombo acendeu o sinal de alerta entre investidores, refletindo o peso do frete internacional mais caro e a desaceleração do consumo no continente europeu.
A margem de lucro da companhia derreteu de 6,2% para apenas 2,1% na comparação anual. O principal motor dessa compressão de margens foi a escalada nos custos de logística e combustível de aviação, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio. A Shein, que baseia seu modelo de negócios no envio aéreo de roupas baratas de suas fábricas na China para consumidores do mundo todo, viu suas despesas logísticas saltarem 18,1%, superando as projeções de mercado.
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De acordo com o balanço, as receitas na Europa encolheram 13,9% no trimestre encerrado em junho, atingindo US$ 3,77 bilhões. Nos Estados Unidos, outro mercado crucial para a operação, a queda foi de 6%. O faturamento global do grupo só não fechou no vermelho graças ao desempenho na América Latina, que garantiu uma leve alta de 0,9% na receita total, somando US$ 11,08 bilhões.
O recuo das vendas na Europa coincide com a preparação da empresa para lidar com novas barreiras tributárias. A União Europeia passou a cobrar uma taxa de 3 euros sobre encomendas internacionais de baixo valor a partir de 1º de julho. Para se antecipar ao impacto, a Shein elevou os preços de seus produtos no continente e reduziu os investimentos em publicidade digital. O cenário tende a ficar ainda mais complexo com a previsão de uma taxa de manuseio adicional de 2 euros a partir de novembro.
A reação do mercado financeiro foi imediata e negativa. Analistas da consultoria Jefferies estimaram que os lucros da Shein ficaram mais de 10% abaixo do piso projetado no prospecto da oferta pública de ações (IPO). Desde a estreia na bolsa de Hong Kong, em 1º de setembro, os papéis da companhia acumulam perda de 27,3% em relação ao preço inicial de 48,56 dólares de Hong Kong por ação.
Para tentar reverter a crise e blindar suas margens, o CEO e presidente do conselho da Shein, Yangtian Xu, planeja uma mudança estratégica em direção a produtos mais caros e grifes de maior valor agregado. Em comunicado oficial, o executivo afirmou que a meta é construir “uma coleção de marcas ricamente diversificada que atenda às variadas necessidades dos consumidores em diferentes faixas de preço”. Além disso, a empresa foca na descentralização de seus estoques, ampliando galpões na Polônia para reduzir a dependência de voos diretos da Ásia.
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