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Os leilões de saneamento básico chegaram a 2026 apontados como uma das principais apostas para o setor de infraestrutura no país, mas o desempenho prático dos certames ficou abaixo das expectativas do mercado. Entre os cinco grandes projetos levados à B3 ao longo do período, o cenário foi marcado por leilões cancelados devido à falta de propostas e por disputas que contaram com apenas um único concorrente na mesa.
Especialistas apontam que a perda de apetite dos investidores resulta de uma combinação desfavorável de fatores macroeconômicos e regulatórios. Pesa sobre o setor o patamar elevado das taxas de juros, a menor disponibilidade de capital, os compromissos pesados de investimentos já assumidos pelas empresas em contratos anteriores, além de dúvidas persistentes sobre os impactos práticos da reforma tributária e problemas pontuais na modelagem dos projetos.
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A escassez de grandes operadores no mercado também reduziu a capacidade de participação em novas licitações, refletindo balanços financeiros pressionados. Companhias relevantes do segmento, como a Aegea, registraram resultados negativos em trimestres recentes e hoje possuem menos margem para absorver novos compromissos, enquanto a Iguá optou por desacelerar o ritmo de entradas e a BRK adotou uma postura altamente seletiva na escolha de ativos.
Os reflexos dessa cautela apareceram claramente em diversos estados ao longo do ano. Em março, o leilão da Saneago em Goiás acabou cancelado após a única proposta apresentada ser inabilitada, enquanto dois blocos não receberam nenhuma oferta; a nova licitação do projeto foi reprogramada para o primeiro semestre de 2027.
O mesmo esvaziamento atingiu a concorrência pelo bloco da Cagece no Ceará e a concessão da Cagepa na Paraíba, arrematada pela Acciona como única proponente após adiamentos, além do recente cancelamento do leilão de saneamento de Rondônia, marcado para o final de outubro, que esvaziou-se devido à insegurança jurídica e ao risco político apontado por analistas.
Representantes do setor e consultores jurídicos reforçam que o calendário eleitoral de 2026 e as incertezas em torno de reajustes tarifários aplicados por governos estaduais e municipais em anos de eleição aprofundaram a retração. Enquanto o mercado aguarda a consolidação das normas de reequilíbrio econômico-financeiro frente às mudanças tributárias, o modelo de grandes blocos dá lugar a uma fase de transição e maior seletividade nos investimentos.
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