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O Irã planeja esticar o conflito com os Estados Unidos até as eleições legislativas americanas de meio de mandato. A estratégia de desgaste aposta em uma derrota expressiva dos aliados do presidente Donald Trump nas urnas, o que esvaziaria o poder político da Casa Branca e abriria caminho para uma negociação futura sob condições muito mais favoráveis a Teerã.
Essa articulação de sobrevivência depende diretamente do fôlego financeiro fornecido pela China e pela Rússia. Após o colapso do acordo nuclear de 2015 (P5+1) e o sufocamento econômico imposto pelas sanções de Washington, o regime iraniano encontrou socorro em Pequim por meio de uma complexa permuta de petróleo por linhas de crédito e suprimentos industriais de países da Rota da Seda.
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Esse fluxo contínuo de recursos permite que Teerã mantenha a estabilidade interna da Guarda Revolucionária e sustente grupos paramilitares que atuam como seus braços armados no Oriente Médio. O Hezbollah, no Líbano, e as milícias Houthi, no Iêmen, funcionam como vetores de instabilidade regional projetados para fustigar alvos de interesse de Israel e dos Estados Unidos.
A análise sobre a estratégia militar foi revelada pelo especialista Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional. “O consenso era esse, de que a perspectiva de estender essa guerra até o fim dos midterms por parte dos iranianos era algo real e algo que eles cogitariam aplicar isso, desde que eles tivessem um fluxo de caixa que permitisse”, detalhou Aragão, com base em conversas diretas com diplomatas da região em uma capital europeia.
O cálculo iraniano mira o calcanhar de Aquiles da Casa Branca: a baixa tolerância do eleitorado americano a guerras longas e sem desfecho claro. Como a destruição física provocada por bombardeios dos Estados Unidos tem um limite político — já que novos ataques começariam a atingir civis e gerariam forte desgaste internacional —, o prolongamento do impasse joga diretamente contra a imagem pública de Trump.
Apesar do plano de resistência armada indireta, o Irã não fechou completamente as portas para a diplomacia e emite sinais ambivalentes. Enquanto o presidente do país declarou que aceita negociar com Washington desde que as ameaças de Trump cessem, canais diplomáticos indicam uma disposição velada de Teerã para abrir conversas específicas sobre a livre circulação de navios no Estreito de Ormuz.
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