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As empresas brasileiras aceleram os investimentos em inteligência artificial, mas esbarram em barreiras críticas como a qualidade dos dados e a escassez de mão de obra especializada. O cenário foi detalhado durante o SAP NOW AI Tour Brazil 2026, evento realizado nos dias 9 e 10 de setembro no Transamerica Expo Center, em São Paulo, que reuniu mais de 4,2 mil pessoas em sua 31ª edição.
A programação do encontro destacou o avanço dos chamados agentes de inteligência artificial, sistemas capazes de atuar integrados a dados, aplicações e processos corporativos. A proposta faz parte da visão de Autonomous Enterprise apresentada pela SAP, na qual os humanos mantêm o controle estratégico enquanto a IA assume a execução de tarefas complexas.
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Para demonstrar a agilidade dessas ferramentas, o evento contou com o Agent Lab, laboratório onde participantes criaram agentes operacionais em apenas 30 minutos, processo que normalmente exigiria cerca de quatro meses de desenvolvimento tradicional. Rui Botelho, CEO da SAP Brasil, resumiu a mudança de patamar da tecnologia.
“Estamos entrando em uma fase na qual a inteligência artificial deixa de atuar apenas em casos isolados e passa a participar de processos completos, com contexto, integração e governança”, afirmou o executivo durante o encontro, reforçando que a ferramenta amplia a capacidade de execução das organizações.
Apesar do entusiasmo, dados do estudo The Value of AI: Brazil 2026, produzido em parceria com a Oxford Economics, revelam gargalos operacionais expressivos. No país, o investimento médio em IA saltou de US$ 14,2 milhões para US$ 20,8 milhões em 2026, com projeção de alta de 46% nos próximos dois anos, enquanto o retorno médio subiu de 16% para 19%.
Contudo, 75% das companhias apontam a qualidade ou a disponibilidade dos dados como o principal entrave para ampliar o retorno financeiro desses projetos. Além disso, 80% relatam problemas com respostas de baixa qualidade geradas por IA, resultando em retrabalho, atrasos operacionais e acúmulo de demandas.
A capacitação profissional também surge como um obstáculo severo, com 65% das empresas apontando a falta de habilidades especializadas como limite para gerar valor. Apenas 12% afirmam estar totalmente preparadas para governar IA e 15% dizem ter processos estruturados para essa gestão.
Mesmo com os desafios, a tecnologia ganha espaço em frentes inusitadas, como na São Paulo Escola de Dança. Em parceria com a SAP e a Associação Pró-Dança, a instituição desenvolve um projeto de inteligência artificial para auxiliar na criação coreográfica e na preparação de espetáculos, provando que o avanço tecnológico já se infiltra na prática artística sem substituir o julgamento humano.
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