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Quase seis meses antes de recorrer à Justiça em busca de proteção financeira, a Safira Holding aprovou uma cisão parcial para redistribuir ativos e passivos dentro da estrutura societária do grupo. A assembleia que sacramentou a operação ocorreu em 2 de março de 2026, com assinaturas eletrônicas concluídas no dia 31 do mesmo mês, conforme apontam documentos analisados.
A movimentação corporativa dividiu o patrimônio em fatias direcionadas à Safira Participações 2 e à Honshu Participações. Meses mais tarde, em agosto, quatro comercializadoras do grupo bateram à porta do Judiciário sob a alegação de grave crise econômica e financeira.
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As empresas autoras do pedido de tutela foram a Safira Administração, a Safira Artemis, a Safira Trading e Geração de Energia e a Safira Varejo Comercialização de Energia. Juntas, elas acumularam débitos de R$ 357,5 milhões e conseguiram na Justiça uma blindagem patrimonial temporária de 60 dias para negociar com seus credores, enquanto a holding e as novas participadas ficaram de fora da ação.
A justificativa formal registrada na ata da assembleia apontava a necessidade de aumentar a eficiência administrativa, operacional e financeira do conglomerado. No entanto, fontes do mercado levantaram dúvidas sobre a real finalidade da reorganização, sugerindo que o patrimônio saudável poderia ter sido blindado longe do alcance dos credores das comercializadoras, embora os documentos oficiais não confirmem essa intenção.
Os números da operação revelam cenários díspares entre as empresas criadas ou modificadas pela cisão. A Safira Participações 2 herdou um patrimônio líquido negativo de R$ 95,43 milhões, absorvendo obrigações bilaterais de empréstimos que três das futuras comercializadoras inadimplentes tinham a receber da holding.
Em contrapartida, a Honshu Participações incorporou ativos e registrou um patrimônio líquido positivo de R$ 47,70 milhões, assumindo apenas passivos mínimos. A Safira Holding, por sua vez, viu seu patrimônio líquido saltar de um saldo negativo de R$ 15,9 milhões para positivo em R$ 31,79 milhões após a efetivação das transferências.
A Justiça apontou que os balanços apresentados pelas comercializadoras comprovavam a forte queda de caixa e a transição de resultados positivos para prejuízos entre 2024 e 2025. Credores do setor elétrico e consumidores compõem a maior parte da lista de devedores, enquanto o Banco Daycoval também apareceu na decisão judicial com títulos protestados que somam cerca de R$ 667,6 mil.
Ainda persistem dúvidas sobre o impacto exato da cisão e se houve oposição formal de credores dentro do prazo legal de 90 dias estipulado pela holding. Procurados pela reportagem em diversas ocasiões para prestar esclarecimentos sobre a operação e a crise financeira, os representantes do Grupo Safira preferiram não se manifestar.
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