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O subsecretário de Monitoramento e Fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Carlos Renato Xavier de Resende, afirmou nesta terça-feira (29) que as instituições financeiras descumprem a obrigação legal de encerrar contas usadas para transações de apostas ilegais. Segundo o representante do governo, os bancos conseguem identificar padrões suspeitos de movimentação financeira, mas falham ao não bloquear os valores retidos e deixar de comunicar os órgãos estatais competentes.

A declaração foi realizada durante encontro em Brasília que reuniu autoridades de diferentes pastas, como o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, além de representantes da Anatel e da Secretaria de Políticas Digitais da Presidência da República. A articulação entre os órgãos faz parte de uma força-tarefa interministerial criada para cobrar esclarecimentos formais do setor financeiro sobre a continuidade na circulação desses recursos ilícitos.

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Essa ofensiva reflete uma mudança drástica na estratégia do Executivo federal para combater o mercado irregular de apostas. Até setembro de 2026, os esforços governamentais concentravam-se no bloqueio individual de sites de apostas, uma tática considerada ineficiente porque os operadores burlavam as sanções criando novos endereços na internet quase imediatamente. A nova diretriz aposta na chamada asfixia financeira para desarticular os grupos por trás dessas operações.

Durante o anúncio, Resende criticou abertamente a conivência sistêmica do setor e destacou que os mecanismos de rastreio já demonstram eficácia em outras frentes criminosas. “A mesma padaria ABC que permite receber valores da Betlegal é a mesma empresa que recebe valores do tráfico de drogas, do golpe do INSS, do golpe do advogado”, declarou, ressaltando que a origem do dinheiro em cada instituição pode ser mapeada.

A ofensiva governamental ocorre na esteira da medida provisória anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (25), que proíbe cassinos on-line e apostas esportivas no território nacional. O cronograma oficial estabelece o dia 5 de outubro como limite para o saque de saldos pelos apostadores e remoção de publicidades, com o desligamento total das plataformas previsto para o dia 6 de outubro.

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