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O empresário André Gerdau alertou para uma mudança estrutural no comércio mundial e questionou diretamente a capacidade do Brasil de competir com a indústria de outros países. As declarações foram feitas nesta terça-feira durante o Congresso Aço Brasil, realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Segundo o empresário, o setor siderúrgico brasileiro opera atualmente com uma capacidade ociosa muito significativa. O país possui capacidade instalada para produzir 51 milhões de toneladas de aço por ano, mas a produção efetiva registra cerca de 33 milhões de toneladas no período.
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Essa situação deixa a utilização da capacidade instalada entre 60% e 65%, enquanto o patamar mínimo considerado necessário para remunerar o capital, distribuir dividendos e sustentar investimentos deveria ficar acima de 80%. O consumo aparente de laminados alcança de 25 milhões a 26 milhões de toneladas anuais, patamar distante do pico de 27 milhões registrado em 2013.
No campo das importações diretas de aço, os números chegaram a 5,7 milhões de toneladas em 2025, o equivalente a cerca de 22% do consumo nacional. Para 2026, a expectativa do setor aponta para uma participação entre 18% e 18,5%, um percentual que, apesar do recuo, continua acima da média histórica registrada entre 2000 e 2019.
Gerdau também chamou a atenção para as importações indiretas, que envolvem o aço incorporado em carros, máquinas, equipamentos, eletrodomésticos, implementos e tratores. Ao somar os dois fluxos, o empresário destaca que cerca de um terço de todo o aço consumido no território brasileiro atualmente vem de fora do país.
Diante desse cenário, o empresário defendeu a necessidade de uma política de Estado de longo prazo para fortalecer o setor industrial brasileiro. Para ele, as mudanças constantes de governo e os ciclos eleitorais de quatro anos dificultam decisões estratégicas de investimento que exigem horizontes muito mais amplos.
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