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A indústria brasileira desembolsa até US$ 15 por milhão de BTU de gás natural, um valor que chega a ser cinco vezes maior do que os US$ 3 a US$ 4 pagos por países vizinhos pela mesma quantidade do insumo. O diagnóstico foi apresentado pelo CEO da Usiminas, Marcelo Chara, durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado nesta quarta-feira (30) em São Paulo.
Segundo o executivo, o custo elevado do combustível compromete toda a cadeia produtiva nacional, pesando desde a extração da molécula até as etapas de transporte e distribuição. Ele apontou que a distorção ocorre mesmo com o Brasil figurando entre os maiores produtores globais de petróleo e gerando mais do que o dobro do gás natural que consome internamente.
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Para tentar reverter esse cenário desfavorável à competitividade da indústria, Chara defende uma revisão profunda nos contratos, nos tributos e nos modelos de transporte e distribuição. O debate, na visão do empresário, exige a participação ativa da Agência Nacional do Petróleo, dos governos e dos fornecedores em uma política de Estado com horizonte de longo prazo, de 10 a 20 anos.
Durante o evento, o executivo também abordou os investimentos da siderúrgica e comentou sobre o mercado automotivo. A Usiminas confirmou um aporte de R$ 1,7 bilhão em uma nova bateria de coque em Ipatinga, em Minas Gerais, projeto que prevê o uso de combustíveis próprios e o reaproveitamento de gases industriais.
Por fim, Chara avaliou que as medidas de defesa comercial implementadas pelo governo brasileiro continuam insuficientes frente às barreiras adotadas por potências como os Estados Unidos e a Europa. Ele citou a tarifa de 100% aplicada pelos americanos a veículos chineses e alertou que o mercado nacional segue inundado por carros importados da China.
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