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Picos acentuados nos preços dos alimentos e da energia devem se tornar mais comuns nos próximos anos, elevando as expectativas de inflação e agravando a pobreza global. O alerta foi emitido pelo Fundo Monetário Internacional nesta terça-feira, apontando que essas crises de custo de vida ameaçam diretamente a estabilidade econômica mundial.

Historicamente, saltos expressivos nos custos de itens de necessidade diária ocorriam de forma isolada. No entanto, o cenário mudou drasticamente nos últimos cinco anos, impulsionado inicialmente pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e, mais recentemente, pela intensificação dos conflitos no Oriente Médio.

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Uma pesquisa divulgada pelo FMI analisou as estratégias adotadas por governos nas últimas três décadas para conter aumentos bruscos de preços. O levantamento também introduziu um modelo econômico que considera o impacto desproporcional da inflação sobre as famílias de menor renda, que destinam fatias maiores de seus orçamentos para bens essenciais.

Os cálculos revelaram uma discrepância de 0,8 ponto percentual em relação aos índices tradicionais de inflação. Entre 2021 e 2024, essa distorção significou que 23 milhões de pessoas a mais foram empurradas abaixo da linha de extrema pobreza em comparação com as estimativas anteriores.

Para a economista do FMI Chiara Maggi, que participou da elaboração do estudo publicado como parte do relatório Perspectiva Econômica Mundial, as crises no custo de vida desorganizam os padrões de vida e aprofundam a desigualdade. A especialista destacou que as expectativas de inflação de curto e médio prazo dispararam durante esses períodos e continuam acima dos patamares pré-crise mesmo três anos após o início do choque.

Diante desse panorama, o fundo reforçou que transferências diretas de renda representam a ferramenta mais eficiente para proteger as populações vulneráveis sem distorcer os sinais de mercado. Em contrapartida, medidas amplas como controles de preços, reduções de impostos sobre o consumo e subsídios a produtores se mostram ineficientes e financeiramente custosas para os cofres públicos a longo prazo.

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