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Cinco anos após sua criação, o mercado de Fiagros passa por uma transformação profunda e começa a deixar para trás a imagem de um produto voltado exclusivamente para o investidor de varejo. Um levantamento recente da Oliveira Trust, com base em dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), revela que o segmento alcançou R$ 65,8 bilhões em patrimônio líquido em julho de 2026, distribuídos por mais de 1,2 milhão de contas de cotistas.

Apesar da forte presença de CPFs no número total de contas, a concentração de recursos segue marcante nas mãos de investidores de maior fôlego. Os dados indicam que 71,1% do patrimônio líquido estava concentrado com investidores qualificados e profissionais, um grupo que representava apenas 7,6% do total de contas. Em contrapartida, o varejo respondia por 92,4% das contas, mas detinha apenas 28,9% dos recursos.

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A base da Quantum traz um panorama semelhante para os 341 Fiagros em funcionamento normal ou em fase pré-operacional, que somavam R$ 23,7 bilhões em patrimônio líquido em agosto. Desse total, os dez maiores veículos concentravam sozinhos R$ 9,4 bilhões, o equivalente a 39,5% de todo o montante. Para Octaciano Neto, especialista ouvido sobre o tema, a indústria evoluiu de estruturas iniciais focadas em crédito corporativo para modelos mais pulverizados e ligados a terras.

“Nasceu para captar dinheiro do varejo e emprestar para corporações. Depois começaram a aparecer estruturas mais pulverizadas, patrimoniais, com terras. Agora existem Fiagros com bancos emitindo”, aponta Neto. Essa evolução ocorre em um momento em que o crédito bancário tradicional já não acompanha sozinho a demanda bilionária por recursos do agronegócio.

Nesse cenário de maior diversificação, instrumentos como a CPR (Cédula de Produto Rural) ganham espaço como alternativas mais simples e baratas para operações específicas. O Fiagro atua, assim, como uma estrutura integradora capaz de reunir diferentes créditos e pulverizar o risco entre os investidores. Uma revenda de insumos que atende centenas de produtores, por exemplo, consegue estruturar operações em que os agricultores figuram como devedores finais, reduzindo a concentração de risco na própria cadeia.

O desempenho dos fundos também reflete a heterogeneidade da indústria. Na base da Quantum, que analisou dados de retorno para 157 veículos até agosto de 2026, 89 registraram retorno negativo, 67 tiveram resultado positivo e um ficou zerado, resultando em uma mediana de -0,1%. Especialistas ressaltam que a rentabilidade isolada não pode ser lida de forma simplista, pois os fundos possuem estratégias, níveis de subordinação e ativos completamente distintos.

A expansão do setor também se traduz em captação líquida positiva em um momento desafiador para a indústria de fundos em geral. Segundo a Anbima, os Fiagros captaram R$ 755 milhões líquidos apenas em julho e acumularam R$ 6,2 bilhões no resultado positivo dos sete primeiros meses de 2026. Para o futuro, a aposta recai sobre a regulamentação para portfólios multimercado, exigindo maior governança dos produtores e especialização técnica dos gestores.

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