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As facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) ampliaram drasticamente a atuação na bacia amazônica e transformaram a região em um dos principais fluxos transnacionais de cocaína para o mercado europeu. A constatação faz parte de um relatório elaborado pela Global Initiative, que detalha o uso de embarcações pesqueiras, lanchas blindadas, pequenos aviões, pistas clandestinas e até submersíveis para burlar a fiscalização das autoridades.

Historicamente, a dinâmica do tráfico na região começou com os cartéis de Medellín e Cali, que estabeleceram a chamada rota do Solimões para exportar drogas via Manaus e Belém. Atualmente, a rota abrange a região de Tabatinga, na tríplice fronteira com Peru e Colômbia, e serve tanto para abastecer o consumo interno brasileiro quanto para alimentar o mercado internacional através de rotas que evitam o curso tradicional do rio Amazonas.

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Entre as inovações logísticas apontadas pelo estudo, o estado do Amapá emergiu como um polo estratégico de exportação. Os criminosos redirecionaram carregamentos para o litoral amapaense e para a Guiana Francesa, aproveitando-se da vasta extensão territorial e da escassa presença institucional para expandir as operações com pouca resistência policial.

Nos portos de Macapá e Santana, especialmente na ilha de Santana, o uso de embarcações submersíveis e de narco-mergulhadores tornou-se um recurso valioso. Os submersíveis percorrem os rios da Amazônia transportando cargas ou fazendo o trajeto vazios, antes de ficarem ancorados em ilhas fluviais isoladas à espera do carregamento final.

O relatório revela ainda que os chamados narco-mergulhadores são, em sua maioria, ex-mergulhadores da Marinha ou bombeiros treinados que vêm de avião de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Esses especialistas trabalham à noite, em condições de alta periculosidade nas águas profundas, para fixar cargas de cocaína nos compartimentos de navios transatlânticos.

Essa técnica, conhecida como rip-on, é executada com grande precisão durante os longos períodos em que os navios ficam ancorados na região portuária. Para os pesquisadores, o envolvimento desses profissionais comprova a sofisticação logística alcançada pelas organizações criminosas no Delta do Amazonas e impõe novos e severos desafios às forças de segurança.

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