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O coach salvadorenho Enrique Mackenzie, de 40 anos, revelou ter sido submetido a um tratamento de conversão sexual coercitivo e ao uso forçado de remédios psiquiátricos no âmbito do Opus Dei, instituição ligada à Igreja Católica. As práticas violentas começaram quando ele tinha apenas 14 anos, momento em que assumiu sua orientação sexual para os dirigentes do grupo, e culminaram na sua expulsão definitiva da organização aos 17 anos.

A trajetória de Mackenzie com a instituição começou ainda na infância, quando ingressou em uma escola mantida pelo Opus Dei em El Salvador aos dois anos de idade. Mais tarde, aos 12, ele passou a frequentar as atividades regulares de um dos centros da organização, que combinavam aulas formais de religião com treinos esportivos de futebol, ambiente no qual se intensificou a doutrinação religiosa.

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A libertação dos traumas impostos pelo grupo exigiu mais de duas décadas de acompanhamento terapêutico intensivo. A virada de chave ocorreu durante experiências internacionais do salvadorenho: primeiro com uma bolsa de estudos em Taiwan, onde teve contato com discussões científicas que desmistificavam a homossexualidade como doença, e posteriormente durante um intercâmbio na Bélgica, onde compreendeu que tinha direito a uma vida social e afetiva normal.

Em depoimento prestado à imprensa, o ex-membro cobrou uma reparação institucional pelos danos causados a ele e a outros fiéis ao longo de anos. “Perdoar fecha a ferida para mim, mas não fecha a porta por onde essa ferida entrou. É importante que eles se responsabilizem desse abuso espiritual, psicológico e sistêmico que acontece em vários países do mundo”, destacou Mackenzie, ponderando que a organização reúne pessoas bem-intencionadas que muitas vezes não enxergam o mal que causam.

O relato de Mackenzie integra o conjunto de depoimentos reunidos na série documental “O Bom Espírito: Por Detrás das Portas do Opus Dei”, lançada pela plataforma de streaming HBO Max no último dia 25. A produção expõe relatos de ex-integrantes que sofreram abusos velados dentro da instituição, enquanto Mackenzie atualmente dedica seu trabalho profissional como coach a auxiliar outras pessoas LGBTQIAPN+ a superarem sequelas psicológicas decorrentes de violências religiosas.

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