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O ex-embaixador do México na China, Jorge Guajardo, afirmou nesta terça-feira (29) que a inundação de produtos manufaturados chineses tem o potencial de desindustrializar o mundo inteiro caso os governos não adotem medidas rápidas de proteção contra a exportação em massa vinda do país asiático.

Participando do Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo, o ex-diplomata apresentou um diagnóstico severo sobre a política industrial de Pequim. Segundo ele, as autoridades globais precisam tratar o tema com urgência para evitar o desaparecimento de suas bases produtivas do dia para a noite.

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Guajardo defendeu a imposição imediata de barreiras comerciais e taxas sobre os produtos chineses, além do bloqueio a parcerias em linhas de montagem no Sudeste Asiático. De acordo com o ex-embaixador, essa região tem recebido capital e bens intermediários da China para montar e revender mercadorias a países que aplicam restrições diretas ao mercado chinês.

O ex-diplomata explicou que o direcionamento de todo o excedente produtivo para o cenário internacional reflete uma estratégia direta do governo de Xi Jinping, onde o Estado mantém controle total sobre a economia. Para ele, a China enfrenta um forte enfraquecimento de seu motor econômico interno e um colapso demográfico após décadas de rápida urbanização.

Sem uma demanda interna robusta e com capacidade ociosa em setores como aço, vidro, cimento, petroquímica e automotivo, a economia planejada optou por não fechar fábricas. ‘O que vamos fazer? Vamos exportar para quem aceitar’, declarou o ex-embaixador ao detalhar a decisão de descarregar a produção globalmente após a queda do setor imobiliário.

Como exemplo, Guajardo apontou o setor automotivo, destacando que a China saltou de 1 milhão de carros exportados em 2020 para uma projeção de 12 milhões em 2026, superando todo o mercado anual europeu, apesar da retração de 24% em seu próprio mercado interno.

Diante desse cenário, o especialista criticou a falta de foco dos governos, que estariam excessivamente preocupados com eventuais tarifas dos Estados Unidos e o discurso de Donald Trump. Para Guajardo, as potências precisam olhar urgentemente para o avanço comercial chinês para evitar danos irreversíveis à indústria global.

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