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Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão pautando suas decisões sob forte influência de cálculos eleitorais, em meio a um cenário de ‘briga aberta’ e vazamento de informações internas para desgastar adversários na corte. O diagnóstico é de Christopher Garman, diretor-executivo da consultoria Eurasia Group, que aponta o fim de um pacto informal de sobrevivência e proteção institucional que antes blindava o tribunal.

De acordo com a análise de Garman apresentada ao canal CNN Brasil, as disputas internas escalaram para um patamar inédito, no qual integrantes do STF expõem relações de colegas com familiares e escritórios de advocacia para manchar reputações. Do ponto de vista político, essa instabilidade acaba beneficiando estrategicamente campanhas como a do PT, ao deslocar o foco do debate público de temas de corrupção para as próprias controvérsias do Judiciário.

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A escalada dessas tensões tem marcos temporais claros nos bastidores de Brasília. O estopim desse processo remete ao dia 27 de fevereiro de 2026, auge das investigações de comissões parlamentares de inquérito, como a CPI do Crime Organizado. Na ocasião, denúncias envolvendo o ministro Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro levaram o Congresso a aprovar a convocação de irmãos do magistrado. A reação jurídica, contudo, driblou o rito tradicional: a defesa recorreu diretamente ao ministro Gilmar Mendes, que utilizou uma ação arquivada da pandemia para barrar os depoimentos.

Esse episódio abriu as portas para o que analistas apontam como um desrespeito sistemático ao princípio do juiz natural, permitindo que agentes políticos escolham quem vai julgar seus casos. Outros episódios recentes reforçam essa dinâmica de bypass institucional, como a decisão monocrática de Flávio Dino que restituiu o cargo ao diretor-geral da Polícia Federal, e uma liminar sobre o programa Bolsa Família que atropelou a relatoria original do ministro André Mendonça.

Esse ambiente de desconfiança se projeta agora sobre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde a correlação de forças preocupa o STF. Com uma bancada composta por André Mendonça e Kássio Nunes Marques — indicados por Jair Bolsonaro —, além de um ministro do Superior Tribunal de Justiça alinhado a esse bloco e da postura incerta de Dias Toffoli, o Supremo passou a utilizar julgamentos específicos como ferramentas de pressão. O objetivo, segundo analistas políticos, é tentar forçar o alinhamento da corte eleitoral, mesmo que isso custe o desgaste de preceitos fundamentais da Justiça, como a imparcialidade.

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