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Startups de tecnologia nos Estados Unidos travam uma corrida complexa e cara para eliminar componentes fabricados na China de suas cadeias de suprimentos. Pressionadas por tarifas agressivas e novas proibições impostas pelo governo americano, empresas que antes dependiam do ecossistema fabril chinês para baratear seus produtos agora enfrentam escassez de peças, alta de custos e a recusa de fornecedores locais que simplesmente não conseguem atender à demanda de fabricação de alta tecnologia.
A Chef Robotics, sediada em San Francisco, ilustra o tamanho do desafio. Fundada por Rajat Bhageria, a startup fabrica braços robóticos para automatizar a montagem de refeições prontas. Embora a montagem final ocorra em solo americano, componentes essenciais acoplados à ponta dos robôs ainda vêm da China. Bhageria tentou transferir a produção das garras plásticas para os Estados Unidos após o aumento de tarifas promovido pelo governo de Donald Trump, mas descobriu que a mudança seria proibitivamente cara e que os fornecedores americanos não tinham capacidade técnica para o serviço.
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Esse abismo industrial é reflexo de décadas de terceirização, que deixaram o parque fabril dos Estados Unidos despreparado. Ben Armstrong, diretor executivo do Industrial Performance Center do MIT, explica que a infraestrutura digital ocidental foi erguida sobre componentes e produtos montados no exterior. Armstrong alerta que haverá uma curva de aprendizado dolorosa e cara para tentar nacionalizar essa produção. A pressão governamental, no entanto, só aumenta: em julho, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) adicionou inversores de energia e novos robôs avançados, como humanoides, à lista de tecnologias estrangeiras restritas.
Setores de defesa e infraestrutura crítica sentem o impacto de forma ainda mais severa. A Kopin Corporation, que fabrica telas microscópicas para drones militares, levou mais de dois anos para transferir parte de sua produção da China para os Estados Unidos. Segundo o CEO Michael Murray, o custo de fabricação em solo americano é até 25% maior, diferença que só foi amortecida graças a subsídios do Departamento de Defesa. Murray destaca que, enquanto a China produz mais microdisplays em uma única semana do que os Estados Unidos conseguem fabricar em um ano inteiro, a pressão por peças nacionais é implacável.
Outra barreira quase intransponível é o monopólio chinês sobre metais de terras raras. A Ghost Robotics, fabricante de cães-robô para uso industrial e militar, conseguiu mover a produção de seus motores para a Coreia do Sul e comprar ímãs de neodímio de uma firma europeia. Contudo, a matéria-prima desses componentes ainda tem origem na China, o que deixará a empresa vulnerável a uma nova proibição governamental prevista para entrar em vigor em janeiro. O cofundador Gavin Kenneally admite que o problema é extremamente difícil de resolver no curto prazo.
O isolamento tecnológico pode acabar desacelerando o próprio avanço dos Estados Unidos em inteligência artificial e automação. Saman Farid, fundador da coalizão Robots for America, alerta para a velocidade das concorrentes asiáticas. Ele pontua que, no tempo em que uma empresa americana leva para construir seu primeiro protótipo, uma rival chinesa já pode estar na terceira versão do produto. Sem alternativas viáveis e rápidas no mercado doméstico, especialistas apontam que o protecionismo corre o risco de asfixiar a inovação que o governo de Washington tenta proteger.
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