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O embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, declarou na última quinta-feira que não existe um prazo estabelecido para a entrega de um novo rascunho de acordo tarifário com o Brasil. A afirmação veio após uma série de encontros diplomáticos voltados a debater a sobretaxa impuesta aos produtos brasileiros pelo governo norte-americano.

Na quarta-feira, Greer se reuniu em Milwaukee, nos Estados Unidos, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, Márcio Elias Rosa, e com o chanceler Mauro Vieira. O diálogo ocorreu paralelamente ao encontro ministerial do G20 de Comércio e serviu para as partes discutirem as relações comerciais bilaterais.

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Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, Greer afirmou que os Estados Unidos já entregaram diversos rascunhos de diferentes ações possíveis ao longo do tempo. O representante comercial pontuou que um novo rascunho não é exatamente algo inédito, mas sim um instrumento utilizado com frequência no passado.

Durante as conversas, o diplomata norte-americano também avaliou que o atual período eleitoral no Brasil pode limitar a flexibilidade dos governos nas negociações. A avaliação de Greer reforça a leitura da equipe brasileira de que Washington deve preferir aprofundar as discussões somente após a conclusão do pleito.

Em declaração ao UOL, o ministro Márcio Elias Rosa relatou ter entendido que um novo documento poderá ser enviado em um horizonte de três a quatro semanas, o que provavelmente coincidiria com o período posterior ao segundo turno das eleições brasileiras. Questionado sobre a exclusão de temas como o Pix e o desmatamento da mesa de negociação, Greer preferiu não responder diretamente.

As tratativas atuais foram retomadas em 31 de agosto, após uma conversa por videoconferência entre Rosa e Greer que foi classificada pelo governo brasileiro como estritamente exploratória. A crise nas relações comerciais escalou em julho, quando os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa de 25% com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, justificando a medida com alegações sobre comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento.

Logo em seguida, em 23 de julho, Washington impôs uma nova sobretaxa de 12,5%, atingindo o Brasil e dezenas de outros países sob o argumento de falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contesta todas as acusações norte-americanas, enquanto o Palácio Planalto buscava originalmente avançar na lista de exceções antes de negociar a reversão total da sobretaxa combinada de 37,5%.

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