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Pesquisadores apoiados pela FAPESP identificaram uma assinatura imunológica em células de defesa que consegue antecipar a resposta de pacientes com câncer de pulmão avançado à imunoterapia. O avanço científico promete guiar o tratamento de forma mais precisa, separando os indivíduos que realmente vão se beneficiar da medicação daqueles que não apresentarão melhora com o uso dos fármacos.
O trabalho focou no câncer de pulmão de células não pequenas, que representa em torno de 85% de todos os tumores pulmonares diagnosticados globalmente, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Como a doença costuma ser detectada já em estágios metastáticos, a equipe analisou amostras de sangue coletadas antes do início da terapia para mapear o perfil exato do sistema imune dos pacientes.
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A eficácia da imunoterapia gira em torno de 45% para esse tipo específico de tumor, esbarrando na capacidade que algumas células cancerígenas têm de silenciar a resposta imune. Para entender essa variação, os cientistas avaliaram dezenas de proteínas na membrana dos linfócitos T de 33 pacientes, constatando que um grupo combinado de marcadores consegue prever o sucesso da intervenção.
Segundo Kenneth Gollob, líder do Laboratório de Imuno-Oncologia Translacional do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor do Centro para Pesquisa em Imuno-Oncologia, a descoberta tem potencial para baratear custos e ampliar o acesso pelo SUS. Hoje os remédios são caros e restritos, mas a triagem prévia permitiria direcionar os recursos apenas aos pacientes com alta probabilidade de resposta.
O teste utilizado para mapear esses marcadores se baseia na citometria de fluxo, um método laboratorial já amplamente disponível e rotineiramente utilizado para diagnosticar leucemia. Além disso, testes in vitro conduzidos pelo grupo demonstraram ser possível reativar parcialmente os linfócitos T de pacientes considerados resistentes ao tratamento convencional.
Diante dos resultados promissores, os pesquisadores já articulam novos ensaios clínicos em parceria com empresas farmacêuticas para validar a abordagem em larga escala. O CRIO também conduz investigações similares em outras frentes oncológicas, incluindo tumores de próstata, cólon, reto, colo do útero, ovário e melanoma.
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