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O Brasil registrou avanços importantes no acesso à Educação Básica no último ano, mas as desigualdades continuam marcando a trajetória dos estudantes desde os primeiros anos de vida. É o que apontam os dados do Anuário Brasileiro de Educação Básica 2026, divulgados recentemente, que revelam ao mesmo tempo recordes de matrícula e persistentes barreiras sociais e de aprendizado.
O atendimento de crianças de zero a três anos chegou a 43,3%, enquanto a pré-escola para crianças de quatro e cinco anos atingiu 96,1% de matrículas, configurando o maior percentual da série histórica. Apesar do avanço rumo às metas do Plano Nacional de Educação, a expansão ocorre de maneira desigual conforme a renda familiar e o recorte racial em todo o país.
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Entre as crianças mais pobres da faixa etária de zero a três anos, a taxa de matrícula foi de apenas 34,7% em 2025, contra 54,7% entre as mais ricas, escancarando uma diferença de 20 pontos percentuais. As disparidades também se refletem na conclusão das etapas escolares, onde jovens brancos e amarelos concluem o Ensino Fundamental e o Ensino Médio em proporções consideravelmente superiores à de pretos, pardos e indígenas.
Os indicadores de aprendizagem revelam desafios profundos, especialmente na rede pública nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Em matemática, por exemplo, apenas 8,5% dos estudantes do Ensino Médio público apresentavam aprendizado adequado, enquanto a ampla maioria de 58,6% permaneceu no nível abaixo do básico.
Em meio a esse cenário, a Educação Profissional e Tecnológica de nível médio despontou positivamente ao mais que dobrar em uma década, saltando para 1,58 milhão de matrículas em 2025. Contudo, a formação docente e a atratividade da carreira enfrentam retrocessos preocupantes, refletidos na queda da presença de alunos com notas altas do Enem ingressando nas licenciaturas e no baixo desempenho de concluintes no Enade.
Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, sintetiza o impasse estrutural enfrentado pelo país. “Os dados apresentados no Anuário mostram que o Brasil ainda não conseguiu consolidar aquilo que caracteriza os melhores sistemas educacionais no mundo: políticas docentes capazes de atrair estudantes de alto desempenho para a carreira, oferecer uma formação inicial que prepare efetivamente para o exercício da docência e garantir remuneração e carreiras capazes de desenvolver, valorizar e reter bons professores ao longo do tempo”, explica o especialista.
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