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O editor-adjunto de desenvolvimento da redação do The New York Times, Eric Athas, defendeu a adoção de critérios rígidos de validação e testes em escala reduzida antes da implementação de inteligência artificial e novas tecnologias no jornalismo. Autor do livro “Saying No to New” (“Dizendo não ao novo”), Athas afirma que a fascinação desenfreada por novidades tecnológicas pode distrair os veículos de comunicação do cumprimento de seus padrões e de sua missão informativa essencial.
No Times, a equipe liderada por Athas atua no treinamento de repórteres e editores para o uso de ferramentas emergentes, incluindo modelos de inteligência artificial, formatos narrativos inovadores e mecânicas de engajamento nos comentários. Apesar da função voltada à inovação, o executivo pondera que a empolgação com novidades costuma gerar expectativas irrealistas e mascarar riscos operacionais no fluxo de trabalho jornalístico.
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Para embasá-lo, Athas cita pesquisas psicológicas sobre a aversão humana à incerteza e faz referência a um estudo de 2003 assinado pelos pesquisadores Daniel Kahneman e Dan Lovallo na Harvard Business Review. De acordo com o diagnóstico citado pelo editor, profissionais sob incerteza tendem a cair no chamado “efeito de excesso de confiança” e na “falácia do planejamento”, criando cenários de sucesso absoluto enquanto ignoram a possibilidade de falhas e erros de cálculo.
No caso específico da inteligência artificial, o executivo destacou que o New York Times estabeleceu diretrizes claras para assegurar uma experimentação responsável. A principal norma fixa que qualquer uso de automação tecnológica no veículo deve ser obrigatoriamente submetido à orientação, checagem e revisão de jornalistas humanos.
A estratégia de implementação do jornal norte-americano exige a realização de fases-piloto restritas antes do lançamento de qualquer recurso para toda a redação. A equipe de Athas exige que novos projetos iniciem com uma proposta estruturada em seis pontos centrais e sejam testados primeiro com um grupo limitado de jornalistas, permitindo identificar falhas operacionais com menor impacto.
Segundo o editor, questionamentos e ceticismo por parte da equipe não indicam resistência à inovação, mas sim curiosidade profissional necessária. Para Athas, o desafio central das redações contemporâneas é encontrar o equilíbrio entre a modernização indispensável para manter a relevância no mercado e a rejeição consciente a tecnologias que não agreguem valor direto à investigação e ao trabalho diário de reportagem.
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