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O avanço acelerado das fontes eólica e solar no Brasil acendeu um alerta no setor elétrico: o país desperdiça cada vez mais energia limpa por falta de linhas de transmissão e capacidade de armazenamento. O fenômeno, conhecido tecnicamente como curtailment, consiste no corte forçado da geração quando a rede não consegue escoar a eletricidade produzida.
Embora cerca de 90% da matriz elétrica nacional venha de fontes renováveis, a infraestrutura atual já não acompanha o ritmo de instalação das novas usinas. De acordo com o relatório World Energy Trilemma Report 2026, divulgado em 21 de setembro pelo World Energy Council, os ganhos mais fáceis da transição energética brasileira já foram alcançados. Agora, o desafio migrou da instalação de novas usinas para a complexa integração do sistema.
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Para o especialista em energia Pedro Rodrigues, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a expansão inicial de eólica e solar foi a etapa simples do processo, impulsionada por custos competitivos e rápida instalação. No entanto, o descompasso entre a geração e a capacidade de transporte criou um gargalo crítico. “A partir de certo ponto, cada nova usina entrega menos, porque gera numa hora e num lugar em que não há linha nem consumo para absorver”, explica Rodrigues.
O especialista destaca que a solução do problema passa por redesenhar o mercado elétrico e dar sinais econômicos corretos a investidores e consumidores. Um dos focos de tensão é o modelo de compensação da geração distribuída, como os painéis solares residenciais e comerciais, que hoje gera debates intensos sobre como dividir os custos fixos da rede de transmissão de forma justa. “Só energia abundante não é energia competitiva”, alerta Rodrigues.
Diante dessa instabilidade das fontes variáveis, Rodrigues defende que o Brasil ainda precisa do petróleo e do gás natural para garantir a segurança do abastecimento nos momentos em que o sol não brilha e o vento não sopra. Para o planejador público, o recado é direto: o foco deve mudar de metas de capacidade para a remuneração adequada da segurança e da flexibilidade do sistema.
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