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Eventos climáticos extremos como inundações, secas e ondas de calor intenso desestruturam diretamente as vidas de milhões de meninas e jovens mulheres em todo o mundo. A constatação faz parte de um novo relatório divulgado pela organização Plan International, que detalha como desastres ambientais afetam de forma profunda e desproporcional essa parcela da população.

O documento, intitulado “The State of the World’s Girls 2026”, aponta que catástrofes naturais interrompem de maneira drástica os sistemas de saúde, educação e proteção social. Sem infraestrutura básica, meninas e jovens se tornam significativamente mais vulneráveis à violência de gênero, ao casamento infantil forçado e à gravidez não planejada, além de terem suas escolhas de vida severamente limitadas.

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Para embasar a pesquisa, a organização ouviu mais de 5.000 meninas e jovens com idades entre 15 e 24 anos em países como Bangladesh, Quênia, Peru, Senegal e Zimbábue. O estudo também incorporou uma análise profunda de dados acumulados em 52 países ao longo das últimas três décadas, traçando um panorama alarmante sobre a realidade cotidiana em comunidades afetadas.

Um dos pontos mais graves destacados pelo relatório é a negligência em relação aos serviços de saúde sexual e reprodutiva durante crises climáticas e respostas de emergência. Em muitas ocasiões, jovens enfrentam barreiras intransponíveis para acessar anticoncepcionais, cuidados de maternidade, apoio à saúde menstrual e aconselhamento psicológico essencial.

O desespero financeiro provocado pela perda do sustento familiar empurra muitas jovens diretamente para uniões precoces. Cerca de 36% das entrevistadas observaram um aumento no casamento infantil em suas comunidades, enquanto 11% relataram ter se casado antes de completarem 18 anos, muitas vezes utilizados pelas famílias como mecanismo de sobrevivência econômica.

Diante desse cenário crítico, a Plan International convoca governos e organizações internacionais a adotarem medidas imediatas, como manter escolas abertas e integras serviços de saúde nos orçamentos de resposta a desastres, garantindo a proteção efetiva das meninas afetadas pelas mudanças climáticas.

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