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Um tradicional desfile de protestantes terminou em tumulto generalizado no último domingo na cidade de Portadown, na Irlanda do Norte. A marcha é realizada anualmente no último domingo de setembro por um grupo de cerca de 35 pessoas da Ordem de Orange, que caminham do centro da cidade até a Igreja Anglicana de Drumcree para um culto religioso.

A movimentação faz referência ao rei protestante Guilherme de Orange, responsável por derrotar o deposto rei católico Jaime II no ano de 1690. Os participantes do grupo são tradicionalmente considerados aliados dos separatistas e mantêm alinhamento político com o governo britânico.

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A principal divergência em torno do evento concentra-se no trajeto de volta da marcha, que historicamente exige a passagem pela Garvaghy Road, uma rua localizada dentro de um bairro católico. A comunidade católica, também conhecida como nacionalista, enxerga o ato como uma provocação deliberada destinada a intimidar os moradores da região.

Diante da pressão popular, os moradores conseguiram na Justiça, ainda no ano de 1998, o direito de proibir o desfile dentro do bairro, o que forçava a polícia a bloquear o acesso. Como alternativa de protesto pacífico nos anos anteriores, os integrantes da Ordem de Orange entregavam uma petição aos policiais e se dispersavam sem adentrar a área.

A situação mudou quando a Parades Commission, órgão regulador de marchas na Irlanda do Norte, flexibilizou a proibição pela primeira vez em quase trinta anos e autorizou a passagem pela rua católica. Representantes nacionalistas reagiram imediatamente e entraram com um recurso na Alta Corte de Belfast para tentar reverter a medida, mas o pedido acabou rejeitado em uma sessão noturna.

Após a confirmação da liberação, cerca de dois mil manifestantes se concentraram no bairro católico para bloquear o trajeto polêmico e impedir a passagem do grupo. A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, filiada ao partido nacionalista irlandês Sinn Féin, esteve presente entre os manifestantes durante o ato.

Diante da escalada de tensão, líderes políticos do Reino Unido e da Irlanda fizeram apelos públicos pela manutenção da calma na região. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, declarou à rede BBC que houve grandes avanços na Irlanda do Norte e que não deseja ver retrocessos sociais.

Por sua vez, o primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, classificou a decisão da Comissão de Desfiles como incompreensível e errada. As autoridades locais agora temem que os episódios de violência deste domingo desencadeiem um efeito dominó, gerando instabilidade prolongada em toda a Irlanda do Norte.

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