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As pequenas encomendas em sites internacionais de comércio eletrônico dispararam expressivamente no Brasil após a retirada do imposto cobrado em importações de até US$ 50, medida que ficou amplamente conhecida como a “taxa das blusinhas”. O volume de remessas internacionais, que registrava uma média de 15,4 milhões de pacotes nos primeiros quatro meses do ano, saltou para 20 milhões em maio, mês em que o tributo deixou de ser aplicado.
O avanço continuou nos meses seguintes, atingindo o pico de 28 milhões de encomendas em junho e mantendo-se acima de 26 milhões tanto em julho quanto em agosto. Os dados foram divulgados nesta semana por meio de levantamentos do programa Remessa Conforme e compilados pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), que monitora os impactos da concorrência estrangeira sobre o mercado interno.
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Em termos financeiros, a alta foi ainda mais expressiva. O valor médio das compras internacionais passou de US$ 308 milhões entre janeiro e abril para US$ 520 milhões nos quatro meses seguintes. Comparando apenas o mês de agosto de 2026 com o mesmo período do ano passado, as declarações de remessas subiram 74%, passando de 15,2 milhões para 26,5 milhões de pacotes, enquanto o valor financeiro movimentado saltou de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, representando um crescimento de 79%.
A Abit utilizou esses números para intensificar as cobranças por equivalência tributária e regulatória entre os produtos fabricados no Brasil e os itens importados por meio de plataformas como Shopee, AliExpress e Shein. A entidade sustenta que as mercadorias estrangeiras de até US$ 50 recebem um tratamento fiscal mais favorável e não passam pelas mesmas exigências trabalhistas, ambientais, sanitárias e de segurança aplicadas à produção nacional.
“Essa assimetria já cobra um preço elevado. O aumento das remessas soma-se à forte expansão das importações convencionais e à retração do mercado interno”, pontuou a Abit em nota oficial. Como resultado direto dessas pressões conjugadas, a associação alerta que a produção industrial vem encolhendo, postos de trabalho estão sendo eliminados e novos investimentos planejados acabam sendo adiados ou totalmente revistos pelas empresas do setor.
Para fundamentar o alerta, a entidade recorreu a dados recentes do IBGE referentes ao mês de julho, que apontaram quedas expressivas de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% no setor de confecção em comparação com o mesmo mês do ano anterior. A associação concluiu criticando os rumos da política econômica atual, argumentando que o país caminha na direção oposta a de outras grandes economias que reforçam o cerco fiscal às plataformas globais para proteger suas bases produtivas.
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